Política de postergação dos Correios acumula R$ 3,7 bilhões em débitos com tributos federais, fornecedores, Postal Saúde e Postalis, pressionando fluxo de caixa
Os Correios deixaram de pagar R$ 3,7 bilhões em obrigações que incluem fornecedores, fundo de pensão, plano de saúde e tributos federais, em medida adotada para preservar a liquidez da estatal.
A estratégia de atrasos foi implementada por um Comitê Executivo de Contingência vinculado à presidência, como tentativa de reequilibrar um fluxo de caixa afetado pela queda de receitas e aumento de despesas.
O total de dívidas em aberto cresceu R$ 1 bilhão em pouco mais de três meses, reflexo do acúmulo de compromissos não quitados e da dificuldade de captação de recursos.
conforme informação divulgada pelo g1
Como se formou a dívida
A estatal informou que a postergação de pagamentos visou preservar a liquidez diante de um período com entradas insuficientes. Ao todo, as obrigações adiadas somaram R$ 3,7 bilhões, distribuídas entre INSS Patronal, fornecedores, Postal Saúde, tributos e fundos relacionados aos empregados.
Os valores apontados no documento são: INSS Patronal: R$ 1,44 bilhão, fornecedores R$ 732 milhões, Postal Saúde: R$ 545 milhões, tributos PIS/COFINS R$ 457 milhões, Remessa Conforme R$ 346 milhões e Postalis: R$ 135 milhões.
A empresa disse que “A combinação entre a redução da receita e o aumento dos gastos acentuou o desequilíbrio financeiro”, em justificativa para a política de postergação.
Impacto nos números e evolução recente
Segundo o documento, nos primeiros nove meses de 2025 entraram R$ 16,94 bilhões nas contas e havia uma obrigação de pagar R$ 20,65 bilhões. A estatal alertou que, “Caso os pagamentos tivessem sido realizados nas respectivas datas de vencimentos, os desembolsos teriam alcançado R$ 19,71 bilhões, Nesse cenário, o resultado seria um déficit operacional estimado em R$ 2,77 bilhões, superior à capacidade de cobertura com os recursos disponíveis no período”.
O relatório também mostra que, em julho, a dívida atrasada havia sido apontada em R$ 2,75 bilhões. Desde então, o total aumentou R$ 1 bilhão, com destaque para o INSS Patronal e PIS/COFINS, cujos atrasos mais que dobraram em pouco mais de três meses.
Neste contexto, o terceiro trimestre fechou com prejuízo de R$ 6 bilhões, e a Diretoria Econômica-Financeira indicou uma estimativa de prejuízo de R$ 5,8 bilhões para todo o ano de 2025.
Medidas adotadas e perspectivas
Entre as decisões do comitê estava a formalização da política de postergação, como forma de reduzir saídas de caixa imediatas e tentar esticar recursos disponíveis até a recuperação das receitas.
Os Correios também apontaram limitações na captação de recursos no fim de 2024, o que comprometeu a cobertura dos compromissos inicialmente previstos para 2025, e reconheceram que dívidas acumuladas em 2024 foram empurradas para o ano seguinte, agravando o problema.
A empresa diz esperar redução no prejuízo contábil de 2025, apesar dos números negativos recentes, mas indicou que o cenário requer medidas estruturais para recompor receitas e controlar custos.
Consequências para fornecedores e empregados
Fornecedores registraram R$ 732 milhões em pagamentos adiados, enquanto obrigações relacionadas a planos de saúde e fundos de pensão também ficaram em aberto, o que pode pressionar contratos e a prestação de serviços a prazo.
A postergação de pagamentos, segundo a estatal, foi uma ação deliberada diante do quadro, mas representa risco para fornecedores, para a folha de benefícios e para a confiança no equilíbrio fiscal da empresa.
Fontes internas apontam que a estatal trabalha em planos de recuperação e em negociações para evitar consequências mais graves, enquanto acompanha a evolução da receita e as possibilidades de captação de recursos adicionais.