Correios podem captar R$ 8 bilhões com garantia da União ou receber aporte do Tesouro, CMN amplia limite para reestruturação e decisão sai no fim do semestre

Governo libera espaço para nova operação de R$ 8 bilhões com garantia da União, ou alternativa de aporte direto do Tesouro para manter plano de reestruturação

Os Correios poderão obter até R$ 8 bilhões em novo empréstimo com garantia da União, após decisão do Conselho Monetário Nacional, ou, alternativamente, receber um aporte direto do Tesouro Nacional.

A medida amplia o limite para que a estatal fortaleça o caixa enquanto implementa seu plano de recuperação, e a decisão final deve ser tomada no fim do primeiro semestre.

As tratativas envolvendo prazo, formato e contrapartidas seguem em discussão entre governo e a própria estatal, conforme informação divulgada pelo g1

O que autorizou o CMN e o objetivo da medida

Segundo nota do Conselho Monetário Nacional, a ampliação do limite de empréstimo com garantias da União é “para assegurar a continuidade do Plano de Reestruturação Econômico-Financeira da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (Correios), aprovado em 10 de dezembro de 2025”.

A garantia da União significa que o governo federal assume o risco de inadimplência, protegendo os bancos credores, e foi usada anteriormente para viabilizar operações que reforçaram o caixa da estatal.

Histórico recente de empréstimos e negociações

Em dezembro, os Correios já tinham captado R$ 12 bilhões por meio de empréstimo com garantia da União, em contrato firmado com cinco grandes bancos.

“O contrato envolve os bancos Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal”, e, segundo as informações, “o acordo tem validade até 2040”.

No início de dezembro, o Tesouro rejeitou uma proposta de R$ 20 bilhões que os Correios negociavam com um consórcio de bancos. Na ocasião, “o comitê aceitava uma taxa de juros de até 18% ao ano, mas a oferta apresentada previa juros de 20% ao ano”.

Cenário financeiro da estatal e riscos futuros

A crise é considerada sem precedentes, e “no acumulado de janeiro a setembro do ano passado, o prejuízo dos Correios chegou a R$ 6 bilhões”. O resultado de todo o ano de 2025 ainda não foi divulgado.

Para 2026, o governo projeta um aumento do déficit, com expectativa de um rombo de R$ 9,1 bilhões. Diante desse cenário, autoridades avaliam se os R$ 8 bilhões serão obtidos por empréstimo ou por aporte direto do Tesouro.

Próximos passos e impactos operacionais

Fontes ouvidas indicam que o “martelo” sobre o formato do recurso deve ser batido no fim do primeiro semestre, e que a definição levará em conta custos financeiros, condições bancárias e o impacto sobre o ajuste fiscal do governo.

Além da negociação com instituições financeiras, os Correios apontaram problemas em programas internos, como o Remessa Conforme, que expôs dificuldades de “reposicionamento negocial da empresa”.

Se confirmada a operação com garantia da União, o governo terá papel central na mitigação do risco de crédito, enquanto um aporte direto do Tesouro implicaria transferência imediata de recursos, com efeitos diferentes sobre as contas públicas.