Para 2026, Correios estimam R$ 17,7 bilhões em receitas correntes, projetam despesas de R$ 29 bilhões, recebem R$ 10 bilhões do empréstimo de R$ 12 bilhões e não descartam nova captação
Os Correios apresentam para 2026 um quadro orçamentário que combina queda expressiva de receitas com aumento das despesas correntes, e anunciam medidas para reverter déficits acumulados.
A empresa recebeu nesta terça-feira R$ 10 bilhões dos R$ 12 bilhões contratados junto a um consórcio de bancos, e detalhou um plano de reestruturação que inclui PDV, venda de imóveis e fechamento de agências.
As projeções e o novo empréstimo fazem parte do demonstrativo orçamentário publicado no Diário Oficial e das declarações da direção da estatal sobre a situação financeira.
conforme informação divulgada pelo g1
Projeções de receitas e despesas para 2026
Para 2026, os Correios estimam R$ 17,7 bilhões em receitas correntes, valor que representa redução de R$ 6,3 bilhões em relação à expectativa para 2025, quando a previsão era de R$ 24 bilhões.
A previsão indica uma redução de 26% nas receitas e, no mesmo período, um aumento de 21% nas despesas correntes, que passam de R$ 24 bilhões em 2025 para R$ 29 bilhões em 2026.
Entre as rubricas, a despesa com pessoal cresce R$ 1,5 bilhão, de R$ 14,2 bilhões para R$ 15,7 bilhões, enquanto os gastos com dirigentes têm a maior redução proporcional, de 33,48%, caindo de R$ 13,9 milhões em 2025 para R$ 8,8 milhões em 2026.
Empréstimo de R$ 12 bilhões e condições da operação
Nesta terça-feira, os Correios receberam R$ 10 bilhões dos R$ 12 bilhões contratados junto a um consórcio formado por Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal.
O contrato, publicado no Diário Oficial, tem garantia da União autorizada pelo Tesouro Nacional em 18 de dezembro, carência de três anos, início dos pagamentos em dezembro de 2029, e taxa de juros fixada em 115% do CDI, abaixo do teto de 120% estabelecido pelo Tesouro.
Segundo a direção dos Correios, a distribuição do aporte do consórcio é a seguinte:
- Banco do Brasil, Caixa e Bradesco, R$ 3 bilhões cada;
- Itaú e Santander, R$ 1,5 bilhão cada.
A empresa não descartou a possibilidade de novos empréstimos, no valor de até R$ 8 bilhões, por meio do Tesouro Nacional ou de novas operações de crédito, alternativas que ainda estão em análise.
Plano de reestruturação, PDV e metas de ajuste
O plano de reestruturação apresentado prevê corte de R$ 2 bilhões em gastos com pessoal, venda de imóveis e fechamento de cerca de mil agências. Hoje, a empresa tem aproximadamente 5 mil unidades.
O programa de demissão voluntária, PDV, prevê inicialmente o desligamento de até 10 mil funcionários, e a estatal também planeja reduzir em até 15 mil o número de funcionários em dois anos, o que representaria uma queda de 18% na folha de pagamentos.
Entre as medidas financeiras previstas estão redução de R$ 2,1 bilhões nos custos com pessoal, venda de R$ 1,5 bilhão em imóveis não operacionais, fechamento de mil pontos de atendimento deficitários e reformulação do plano de saúde com economia estimada em R$ 500 milhões por ano.
A direção alertou para o tamanho do problema, afirmando que, sem ajustes, a empresa pode registrar prejuízo de até R$ 23 bilhões em 2026, e que não há expectativa de melhora significativa ainda em 2025.
Mercado, receitas futuras e investimentos
Os Correios disseram esperar voltar a operar no azul em 2027, com a meta de alcançar R$ 21 bilhões em receitas naquele ano. Em 2024, a empresa fechou com receita total de R$ 18,9 bilhões, abaixo dos anos anteriores.
Parte da queda de receitas é atribuída ao programa Remessa Conforme, medida do Ministério da Fazenda que instituiu imposto de importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50, e permitiu que empresas privadas de logística distribuíssem encomendas internacionais no Brasil.
Segundo levantamento da estatal, a participação dos Correios no mercado de encomendas caiu de 51% em 2019 para 22% em 2025. Para modernizar operações, a empresa planeja investir R$ 4,4 bilhões entre 2027 e 2030, com recursos de um empréstimo do Novo Banco de Desenvolvimento do Brics, presidido por Dilma Rousseff.
O demonstrativo orçamentário também prevê receitas de capital relacionadas à contratação de empréstimos, e a gestão busca equilibrar medidas de curto prazo com investimentos em automação, renovação de frota e modernização de tecnologia para recuperar competitividade.
Fontes, números e projeções apresentados nesta reportagem foram obtidos a partir do demonstrativo orçamentário e das declarações da direção dos Correios, conforme informação divulgada pelo g1.