Correios preveem queda de 26% nas receitas em 2026, aumento de 21% nas despesas e recebem R$ 10 bilhões de empréstimo, diz Emmanoel Rondon

Orçamento 2026 indica receita encolhida para R$ 17,7 bilhões, aumento de custos e empréstimo de R$ 12 bilhões com carência de três anos, segundo o documento

Os Correios projetam para 2026 um cenário com menos receita, mais despesas e necessidade de crédito para tentar reequilibrar as contas.

O orçamento oficial aponta redução de 26% nas receitas e aumento de 21% nas despesas correntes, e a estatal recebeu esta semana parte de um empréstimo bilionário para aliviar a situação.

As informações e os números aqui apresentados estão conforme informação divulgada pelo g1.

Previsão orçamentária e números principais

Para 2026, os Correios estimam R$ 17,7 bilhões em receitas correntes, que incluem encomendas, mensagens, correspondências internacionais e outros serviços. Esse valor é R$ 6,3 bilhões inferior ao previsto para 2025, quando a expectativa era de R$ 24 bilhões, e também menor que a projeção de 2024, de R$ 20,6 bilhões.

A empresa projeta aumento de R$ 5 bilhões, equivalente a 21% nas despesas correntes, que reúnem gastos com prestação de serviços, salários, publicidade e despesas administrativas. Em 2025, a estimativa de despesas era de R$ 24 bilhões, para 2026 a projeção sobe para R$ 29 bilhões.

O demonstrativo orçamentário também mostra que a despesa com pessoal cresce R$ 1,5 bilhão, um aumento de 10,5%, passando de R$ 14,2 bilhões para R$ 15,7 bilhões. Em sentido contrário, os gastos com dirigentes tiveram a maior redução proporcional, de 33,48%, caindo de R$ 13,9 milhões em 2025 para R$ 8,8 milhões em 2026.

Empréstimo de R$ 12 bilhões e condições do acordo

Nesta terça-feira, os Correios receberam R$ 10 bilhões dos R$ 12 bilhões contratados junto a um consórcio de bancos privados. A assinatura do contrato foi publicada no Diário Oficial da União no sábado, 27.

O consórcio é formado por Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal. Segundo a empresa, Banco do Brasil, Caixa e Bradesco vão aportar R$ 3 bilhões cada, Itaú e Santander emprestam R$ 1,5 bilhão cada. O contrato tem validade até 2040 e conta com garantia da União, autorizada pelo Tesouro Nacional em 18 de dezembro.

A operação prevê carência de três anos e início dos pagamentos mensais em dezembro de 2029. A taxa de juros foi fixada em 115% do CDI, abaixo do teto de 120% estabelecido pelo Tesouro.

O presidente dos Correios, Emmanoel Rondon, afirmou que não descartou a possibilidade de novos empréstimos, no valor de até R$ 8 bilhões, e que a captação pode ocorrer por meio de recursos do Tesouro Nacional ou de novas operações de crédito, alternativas que ainda estão em análise.

Plano de reestruturação e medidas previstas

Os Correios apresentam um plano de reestruturação que prevê corte de R$ 2 bilhões em gastos com pessoal, venda de imóveis e fechamento de cerca de mil agências, em um universo de aproximadamente 5 mil unidades hoje.

A estatal planeja implementar um PDV e reduzir em até 15 mil o número de funcionários em dois anos, o que representaria um corte de 18% na folha de pagamentos. O plano cita redução de R$ 2,1 bilhões nos custos com pessoal, venda de R$ 1,5 bilhão em imóveis não operacionais, fechamento de mil pontos de atendimento deficitários e reformulação do plano de saúde, com economia estimada em R$ 500 milhões por ano.

Rondon afirmou que, sem ajustes, a empresa pode registrar prejuízo de até R$ 23 bilhões em 2026, e que não há expectativa de melhora significativa ainda em 2025. Em setembro, os Correios divulgaram prejuízo de R$ 4,3 bilhões no primeiro semestre de 2025, contra prejuízo de R$ 1,3 bilhão no mesmo período de 2024.

Impacto no mercado de encomendas e perspectivas futuras

Parte da redução de receita está associada ao programa Remessa Conforme, criado pelo Ministério da Fazenda em 2023, que instituiu imposto de importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50 e permitiu que empresas privadas de logística passassem a distribuir encomendas internacionais no Brasil.

Segundo levantamento apresentado pela empresa, a participação dos Correios no mercado de encomendas caiu de 51% em 2019 para 22% em 2025. A estatal espera retomar crescimento e projeta alcançar R$ 21 bilhões em receitas em 2027, e voltar a operar no azul a partir de 2027.

Os Correios também planejam investir R$ 4,4 bilhões entre 2027 e 2030, com recursos de um empréstimo do Novo Banco de Desenvolvimento do Brics, e usar os recursos para automação de centros de tratamento, renovação da frota, modernização da infraestrutura de tecnologia da informação e redesenho da logística.

O orçamento é um documento que norteia as ações para um período e pode sofrer alterações, mas as projeções e os números divulgados apontam para um ano de 2026 desafiador para os Correios, com medidas de corte e busca por novo fôlego financeiro, conforme informação divulgada pelo g1.