quinta-feira, junho 4, 2026

Correios preveem queda de receitas e alta de despesas em 2026, empréstimo de R$ 12 bilhões e plano de reestruturação para voltar ao lucro em 2027

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Previsão orçamentária mostra recuo nas receitas correntes em 2026, aumento de despesas, operação de crédito já liberada e medidas para tentar reverter 12 trimestres de prejuízos

Os Correios projetam um ano de 2026 marcado por receitas menores e custos maiores, enquanto buscam recursos para sustentar o ajuste financeiro.

A empresa recebeu parte de um empréstimo bilionário e apresentou um plano de reestruturação que envolve PDV, venda de imóveis e fechamento de agências.

Os dados e declarações constam do documento orçamentário e das comunicações recentes da estatal, conforme informação divulgada pelo g1.

Receitas projetadas e ritmo de arrecadação

Para 2026, os Correios estimam R$ 17,7 bilhões em receitas correntes, que incluem encomendas, mensagens, correspondências internacionais e outros serviços.

Esse valor é R$ 6,3 bilhões inferior ao previsto para 2025, quando a expectativa era de R$ 24 bilhões, e também menor que a projeção de 2024, que era de R$ 20,6 bilhões.

Até setembro de 2025, a estatal havia registrado R$ 12,3 bilhões em receitas, o equivalente a 60% do total estimado para o ano, o que exigiria uma arrecadação de R$ 8,3 bilhões no último trimestre, cerca do dobro da média dos trimestres anteriores.

Despesas, pessoal e cortes previstos

O demonstrativo aponta aumento de 21% nas despesas correntes para 2026, totalizando R$ 29 bilhões, contra os R$ 24 bilhões projetados para 2025.

Entre os componentes, a despesa com pessoal subiria R$ 1,5 bilhão, de R$ 14,2 bilhões para R$ 15,7 bilhões, enquanto a rubrica de dirigentes tem a maior redução proporcional, 33,48%, caindo de R$ 13,9 milhões em 2025 para R$ 8,8 milhões em 2026.

O plano de reestruturação prevê corte de até 15 mil postos em dois anos, PDV para até 10 mil funcionários, fechamento de cerca de mil agências e venda de imóveis para reduzir custos.

Empréstimo, condições e garantias

Nesta terça-feira, os Correios receberam R$ 10 bilhões dos R$ 12 bilhões contratados junto a um consórcio formado por Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal.

O contrato, publicado no Diário Oficial, tem validade até 2040, conta com garantia da União, e prevê carência de três anos, com início dos pagamentos mensais em dezembro de 2029.

A taxa de juros foi fixada em 115% do CDI, abaixo do teto de 120% estabelecido pelo Tesouro, e, segundo a direção, ainda há a possibilidade de captar até R$ 8 bilhões adicionais por meio do Tesouro ou novas operações de crédito.

Riscos, metas e perspectivas de retorno ao lucro

Em comunicado, a direção alertou para a gravidade do quadro, com prejuízo de R$ 4,3 bilhões no primeiro semestre de 2025, ante R$ 1,3 bilhão de resultado negativo no mesmo período de 2024.

Sem ajustes, foi afirmado que a empresa pode registrar prejuízo de até R$ 23 bilhões em 2026, cenário que motiva o PDV e outras medidas de corte de custos.

O plano busca reduzir custos em áreas como pessoal em R$ 2,1 bilhões, vender R$ 1,5 bilhão em imóveis não operacionais, fechar mil pontos deficitários e reformular o plano de saúde para economizar R$ 500 milhões por ano, com a meta de voltar a operar no azul em 2027.

Desafios de mercado e investimentos futuros

Parte da queda de receita está ligada a mudanças no mercado de encomendas, como o programa Remessa Conforme, que introduziu imposto de importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50 e abriu espaço para empresas privadas na distribuição de encomendas.

Segundo levantamento apresentado pela estatal, a participação dos Correios no mercado de encomendas caiu de 51% em 2019 para 22% em 2025, pressionando as receitas.

A estatal planeja também investimentos de R$ 4,4 bilhões entre 2027 e 2030, por meio de empréstimo do Novo Banco de Desenvolvimento do Brics, para automação, renovação de frota e modernização de TI, visando recuperar eficiência e receitas.

As informações compiladas aqui se baseiam no documento orçamentário e nas notificações oficiais divulgadas, conforme informação divulgada pelo g1.

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