Correios preveem queda de receitas e aumento de despesas em 2026, recebem empréstimo de R$ 12 bilhões e anunciam reestruturação para voltar ao lucro em 2027
Orçamento de 2026 aponta redução de 26% nas receitas até R$ 17,7 bilhões, aumento de 21% nas despesas correntes até R$ 29 bilhões, e possibilidade de novos aportes
Os Correios apresentam uma previsão orçamentária para 2026 que combina queda de receitas e aumento de despesas, em um cenário que exige reestruturação financeira e apoio externo.
O documento integra o decreto com as estimativas orçamentárias das empresas estatais federais para 2026, assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e detalha receitas, despesas e medidas previstas para reverter uma sequência de resultados negativos.
No mesmo período em que anunciou medidas de ajuste, a empresa recebeu recursos de um empréstimo contratual para tentar melhorar a situação econômico-financeira, conforme informação divulgada pelo g1.
Previsões orçamentárias para 2026
Para 2026, os Correios estimam R$ 17,7 bilhões em receitas correntes, valor que representa uma redução de 26% nas receitas em relação à previsão de 2025, quando a expectativa era de R$ 24 bilhões. Em 2024, a projeção era de R$ 20,6 bilhões.
A previsão também indica um aumento de 21% nas despesas correntes, equivalente a um acréscimo de R$ 5 bilhões, passando de R$ 24 bilhões em 2025 para R$ 29 bilhões em 2026. A despesa com pessoal sobe R$ 1,5 bilhão, de R$ 14,2 bilhões para R$ 15,7 bilhões, enquanto os gastos com dirigentes caem de R$ 13,9 milhões para R$ 8,8 milhões.
Empréstimo e condições do crédito
Na terça-feira, a empresa recebeu R$ 10 bilhões dos R$ 12 bilhões contratados junto a um consórcio de bancos privados, conforme publicação no Diário Oficial da União. O consórcio é formado por Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal.
Segundo o presidente dos Correios, Emmanoel Rondon, Banco do Brasil, Caixa e Bradesco vão aportar R$ 3 bilhões cada. Itaú e Santander emprestam R$ 1,5 bilhão cada. O contrato tem validade até 2040 e conta com garantia da União, autorizada pelo Tesouro Nacional em 18 de dezembro.
O contrato prevê carência de três anos e início dos pagamentos mensais em dezembro de 2029. A taxa de juros foi fixada em 115% do CDI, abaixo do teto de 120% estabelecido pelo Tesouro. Rondon não descartou a possibilidade de novos empréstimos, no valor de até R$ 8 bilhões.
Plano de reestruturação e cortes
O plano de reestruturação dos Correios prevê corte de R$ 2 bilhões em gastos com pessoal, venda de imóveis e fechamento de cerca de mil agências, em uma estatal que hoje tem aproximadamente 5 mil unidades. A empresa também pretende implementar um PDV, que prevê o desligamento de até 10 mil funcionários, e planeja reduzir em até 15 mil o número de funcionários em dois anos.
Entre as metas para equilibrar as contas estão redução de R$ 2,1 bilhões nos custos com pessoal, venda de R$ 1,5 bilhão em imóveis não operacionais, fechamento de mil pontos de atendimento deficitários e reformulação do plano de saúde, com economia estimada em R$ 500 milhões por ano.
Sem ajustes, a empresa pode registrar prejuízo de até R$ 23 bilhões em 2026, segundo Rondon. Em setembro, os Correios divulgaram prejuízo de R$ 4,3 bilhões no primeiro semestre de 2025, ante um resultado negativo de R$ 1,3 bilhão no mesmo período de 2024.
Perspectivas e receitas futuras
Os Correios planejam ampliar receitas e projetam alcançar R$ 21 bilhões em 2027, com investimentos e reconfiguração de operações. Em 2024, os Correios fecharam o ano com receita total de R$ 18,9 bilhões, abaixo dos R$ 19,2 bilhões de 2023.
Parte da queda de receitas é atribuída ao programa Remessa Conforme, que instituiu imposto de importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50 e permitiu que empresas privadas de logística atuassem na distribuição de encomendas internacionais. Segundo levantamento apresentado pela empresa, a participação dos Correios no mercado de encomendas caiu de 51% em 2019 para 22% em 2025.
Além do empréstimo com bancos privados, os Correios planejam investir R$ 4,4 bilhões entre 2027 e 2030 com recursos de um empréstimo do Novo Banco de Desenvolvimento do Brics, para automação, renovação de frota, modernização de tecnologia da informação e redesenho da logística.