Empresa prevê receitas correntes de R$ 17,7 bilhões em 2026, aumento de R$ 5 bilhões nas despesas, recebeu R$ 10 bilhões do empréstimo com consórcio de bancos e espera voltar ao lucro em 2027
Os Correios divulgaram projeções orçamentárias que mostram um cenário de aperto financeiro para 2026, com redução nas receitas e elevação dos gastos correntes.
O documento com as estimativas integra decreto assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e a empresa também anunciou aporte de crédito para aliviar a liquidez no curto prazo.
Os dados e as previsões detalhadas constam no demonstrativo orçamentário publicado no Diário Oficial da União, conforme informação divulgada pelo g1.
Orçamento e principais números para 2026
Para 2026, os Correios projetam **R$ 17,7 bilhões em receitas correntes**, valor **R$ 6,3 bilhões inferior** ao previsto para 2025 e **26% menor** em relação à projeção anterior. Ao mesmo tempo, a empresa estima **aumento de R$ 5 bilhões, ou 21%, nas despesas correntes**, que passam a R$ 29 bilhões.
Até setembro de 2025, foram registradas **R$ 12,3 bilhões em receitas**, o equivalente a 60% do total previsto para o ano, e para cumprir a meta anual seria necessário arrecadar R$ 8,3 bilhões no último trimestre.
Empréstimo contratado e condições
Os Correios fecharam operação de crédito de **R$ 12 bilhões** com um consórcio formado por Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e Caixa, e receberam **R$ 10 bilhões** nesta terça-feira. A assinatura do contrato foi publicada no Diário Oficial da União.
O contrato tem garantia da União, autorizada pelo Tesouro Nacional em 18 de dezembro, carência de três anos, início dos pagamentos mensais em dezembro de 2029, e taxa de juros fixada em **115% do CDI**, abaixo do teto de 120% estabelecido pelo Tesouro.
Segundo o presidente dos Correios, Emmanoel Rondon, alguns bancos vão aportar valores distintos na operação, e a estatal não descarta captações adicionais, com eventual necessidade de até R$ 8 bilhões a mais, por meio do Tesouro ou novas operações de crédito.
Plano de reestruturação e medidas de ajuste
O plano de reestruturação prevê medidas para reduzir custos e modernizar a operação, com objetivo de reverter 12 trimestres consecutivos de prejuízos. Entre as ações estão venda de imóveis, fechamento de agências deficitárias e programa de demissão voluntária.
Especificamente, o plano prevê **corte de R$ 2 bilhões em gastos com pessoal**, venda de **R$ 1,5 bilhão em imóveis não operacionais**, fechamento de cerca de **mil agências**, e reformulação do plano de saúde estimando economia de **R$ 500 milhões por ano**. A estatal planeja implementar um PDV que prevê o desligamento de até **10 mil funcionários**, e o plano mais amplo considera a redução de até **15 mil postos em dois anos**.
Sem ajuste, a empresa alertou para risco de prejuízo de até **R$ 23 bilhões em 2026**, e a expectativa é equilibrar as contas em 2026 e voltar a registrar lucro a partir de 2027.
Receitas futuras e investimentos
Os Correios estabelecem metas para recuperar receita, com previsão de atingir **R$ 21 bilhões em 2027**, e planejam investir **R$ 4,4 bilhões entre 2027 e 2030** por meio de financiamento do Novo Banco de Desenvolvimento do Brics.
A queda de participação no mercado de encomendas, de 51% em 2019 para 22% em 2025, e mudanças regulatórias para operações internacionais, como o programa Remessa Conforme, estão entre as causas da redução de receitas apontadas pela empresa.
O documento orçamentário orienta as ações para 2026, mas pode sofrer alterações, e a combinação entre medidas internas e recursos contratados será determinante para a recuperação financeira dos Correios nos próximos anos.