quinta-feira, junho 4, 2026

Correios projetam queda de receitas em 2026 e aumento de despesas, recebem R$ 10 bilhões em empréstimo e avaliam nova captação de até R$ 8 bilhões

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Orçamento prevê redução de 26% nas receitas para R$ 17,7 bilhões e aumento de 21% nas despesas para R$ 29 bilhões, empresa anuncia PDV, venda de imóveis e busca fortalecer caixa

Os Correios projetam um cenário financeiro mais apertado em 2026, com queda das receitas e aumento dos gastos correntes, enquanto captam crédito para tentar equilibrar as contas.

A previsão orçamentária traz um recuo nas vendas e serviços, e ao mesmo tempo inclui despesas maiores com pessoal, PDV e ajustes administrativos.

Paralelamente, a empresa fechou um contrato de empréstimo com bancos privados e não descarta nova captação de recursos para enfrentar o déficit.

conforme informação divulgada pelo g1

Orçamento e projeções para 2026

Para 2026, os Correios estimam R$ 17,7 bilhões em receitas correntes, o que representa uma redução de 26% em relação ao previsto para 2025, quando a expectativa era de R$ 24 bilhões. As receitas correntes incluem encomendas, mensagens, correspondências internacionais e outros serviços.

Na outra ponta, o demonstrativo aponta aumento de R$ 5 bilhões, ou 21%, nas despesas correntes, que passam de R$ 24 bilhões em 2025 para R$ 29 bilhões em 2026. Entre os fatores que ajudam a explicar a elevação está o programa de demissão voluntária, que prevê o desligamento de até 10 mil funcionários.

A despesa com pessoal também cresce, sobe R$ 1,5 bilhão (10,5%), passando de R$ 14,2 bilhões para R$ 15,7 bilhões. Em sentido contrário, os gastos com dirigentes tiveram a maior redução proporcional, de 33,48%, caindo de R$ 13,9 milhões em 2025 para R$ 8,8 milhões em 2026.

Empréstimo, condições e garantias

Nesta terça-feira (30), os Correios receberam R$ 10 bilhões dos R$ 12 bilhões contratados junto a um consórcio de bancos privados. A assinatura do contrato foi publicada no Diário Oficial da União no sábado (27).

O consórcio é formado por Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal. O contrato tem validade até 2040 e conta com garantia da União, autorizada pelo Tesouro Nacional em 18 de dezembro.

Segundo a empresa, o contrato prevê carência de três anos e início dos pagamentos mensais em dezembro de 2029, com taxa de juros fixada em 115% do CDI. Durante coletiva, a companhia não descartou a possibilidade de novos empréstimos, no valor de até R$ 8 bilhões, por meio do Tesouro Nacional ou de novas operações de crédito.

Plano de reestruturação e metas de recuperação

O plano de reestruturação dos Correios prevê corte de custos e ajustes operacionais, com metas e projeções detalhadas para reequilibrar as contas. Entre as medidas estão redução de R$ 2,1 bilhões nos custos com pessoal, venda de R$ 1,5 bilhão em imóveis não operacionais e fechamento de cerca de mil agências, hoje a empresa tem aproximadamente 5 mil unidades.

A estatal planeja implementar um PDV e reduzir em até 15 mil o número de funcionários em dois anos, o que representaria um corte de 18% na folha de pagamentos. Também consta a reformulação do plano de saúde, com economia estimada em R$ 500 milhões por ano.

O objetivo é equilibrar as contas em 2026 e voltar a registrar lucro a partir de 2027, com a meta de alcançar R$ 21 bilhões em 2027. A empresa afirma que, sem ajustes, pode registrar prejuízo de até R$ 23 bilhões em 2026.

Queda de mercado, resultados recentes e investimentos futuros

Os Correios enfrentam perda de participação no mercado de encomendas, atribuída em parte ao programa Remessa Conforme e à entrada de empresas privadas na distribuição de encomendas internacionais. Segundo levantamento da empresa, a participação caiu de 51% em 2019 para 22% em 2025.

Em 2024, a estatal fechou o ano com receita total de R$ 18,9 bilhões, abaixo dos R$ 19,2 bilhões de 2023 e dos R$ 19,8 bilhões de 2022. Em setembro de 2025, os Correios registraram R$ 12,3 bilhões em receitas até o mês, o equivalente a 60% do total previsto para o ano.

Nos resultados, a empresa divulgou prejuízo de R$ 4,3 bilhões no primeiro semestre de 2025, contra prejuízo de R$ 1,3 bilhão no mesmo período de 2024. Para modernizar a operação, os Correios planejam investir R$ 4,4 bilhões entre 2027 e 2030, com recursos de um empréstimo do Novo Banco de Desenvolvimento do Brics, destinados à automação, renovação de frota e modernização tecnológica.

O quadro, com queda de receitas e aumento de despesas, justifica a busca por crédito e as medidas de reestruturação, num esforço para estancar perdas e retomar lucro em 2027.

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