quinta-feira, junho 4, 2026

Correios recebem R$ 10 bilhões em empréstimo com aval da União, entenda por que recursos foram liberados, juros a 115% do CDI e plano para recuperar finanças

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Os R$ 10 bilhões foram liberados após publicação do contrato de garantia da União, parte de operação de R$ 12 bilhões, os R$ 2 bilhões restantes chegam em janeiro

Os Correios receberam o repasse de R$ 10 bilhões previsto para este mês, parte de uma operação de crédito de R$ 12 bilhões garantida pela União, com publication do contrato pela PGFN.

O montante permitiu que a empresa quitasse o salário de dezembro de todos os funcionários, estimado em R$ 300 milhões, e deixou a expectativa de mais um depósito de R$ 2 bilhões em janeiro.

O pacote envolve um consórcio formado por Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e Caixa, e um contrato com validade até 2040, conforme informação divulgada pelo g1.

Detalhes do empréstimo e da garantia da União

O contrato publicado no Diário Oficial da União foi autorizado pelo Tesouro Nacional em 18 de dezembro, o que significa que o governo federal dá respaldo à operação e reduz o risco para os bancos que emprestaram os recursos.

Segundo a divulgação dos Correios, Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal e o Bradesco vão aportar R$ 3 bilhões cada. Itaú e Santander vão emprestar outros R$ 1,5 bilhão, cada um, totalizando a oferta de R$ 12 bilhões.

O contrato prevê um prazo de carência de 3 anos e pagamentos mensais a partir de dezembro de 2029, a taxa de juros ficou em 115% do CDI, abaixo do teto de 120% do CDI estabelecido pelo Tesouro.

Como os recursos foram usados imediatamente

Com o repasse de R$ 10 bilhões, os Correios conseguiram realizar pagamentos urgentes, entre eles a folha de dezembro, estimada em R$ 300 milhões, evitando atrasos salariais neste fim de ano.

A empresa informou que os R$ 2 bilhões restantes do pacote serão pagos em janeiro, e que há ainda a possibilidade de captação de mais R$ 8 bilhões para concluir o plano de recuperação econômico-financeira.

Plano de reestruturação e metas fiscais

O plano dos Correios prevê cortes e mudanças para recuperar a saúde financeira da estatal, incluindo redução de R$ 2,1 bilhões nos custos com pessoal, venda de R$ 1,5 bilhão em imóveis não operacionais e o fechamento de mil pontos de venda deficitários.

A companhia vai implementar um programa de demissão voluntária, com a expectativa de, em até 2 anos, reduzir em 15 mil o número total de funcionários, o que representaria um corte de 18% na folha de pagamentos.

O presidente dos Correios disse que “o plano de reestruturação foi concebido com uma necessidade declarada de captação de recursos da ordem de R$ 20 bilhões. Então, a gente fez uma primeira rodada com bancos, recebemos oferta dos R$ 20 bilhões, mas a uma taxa que a gente entendeu que estava mais elevada“, e também afirmou que “a rota precisa ser ajustada rapidamente” para evitar um possível prejuízo maior.

Desempenho financeiro, receita e riscos

Os Correios enfrentam perdas consecutivas, com resultado negativo no primeiro semestre de 2025 de R$ 4,3 bilhões, ante R$ 1,3 bilhão no mesmo período de 2024.

A empresa projeta recuperar as contas em 2026 e voltar a ter lucro a partir de 2027, meta que depende de aumento de receitas, ajustes operacionais e venda de ativos.

As receitas sofreram queda nos últimos anos, e a expectativa é alcançar R$ 21 bilhões em 2027. Em 2024, os Correios encerraram o ano com receita total de R$ 18,9 bilhões, contra R$ 19,2 bilhões em 2023 e R$ 19,8 bilhões em 2022.

Além disso, a estatal perdeu participação no mercado de encomendas, saindo de 51% em 2019 para 22% atualmente, cenário agravado por mudanças como o programa “Remessa Conforme”, que alterou regras sobre importações e distribuição de encomendas.

Próximos passos e fontes de financiamento

Os Correios avaliam a captação de mais R$ 8 bilhões, seja por aportes do Tesouro Nacional, seja por novo empréstimo junto a instituições financeiras.

A companhia também pretende buscar um empréstimo junto ao Novo Banco de Desenvolvimento do Brics para garantir, entre 2027 e 2030, investimentos de R$ 4,4 bilhões destinados à automação, renovação e descarbonização da frota, modernização de TI e redesenho da malha logística.

O sucesso do plano depende do cumprimento das metas de corte de custos, da realização das vendas de ativos e da retomada de receitas em um mercado cada vez mais competitivo.

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