Correios receitas e prejuízos 2025, aumento em encomendas e mensagens, queda em postagens internacionais e plano que busca R$ 8 bilhões para 2026

Correios receitas e prejuízos 2025: análise dos números até 30 de setembro mostra R$ 7,2 bilhões em encomendas, R$ 3,6 bilhões em mensagens, e medidas para recuperar as contas

Os Correios registraram um crescimento, ainda que tímido, nas receitas com encomendas e com serviços de mensagens no acumulado até 30 de setembro de 2025.

No período, a empresa anotou receita de R$ 7,2 bilhões com encomendas e R$ 3,6 bilhões com mensagens, os maiores valores desde 2022 para esses itens.

Mesmo com esses ganhos pontuais, a estatal acumulou um prejuízo de R$ 6 bilhões no 3º trimestre, e apresentou um plano de reestruturação que prevê captação adicional de recursos e cortes de custos, conforme informação divulgada pelo g1.

Queda em postagens internacionais e impacto do programa Remessa Conforme

As postagens internacionais, que eram responsáveis por mais de 20% das receitas dos Correios, sofreram queda relevante, registrando R$ 1,1 bilhão em 2025.

Segundo as demonstrações financeiras, houve uma redução de R$ 2,2 bilhões entre o acumulado até setembro de 2023 e 2025, o que representa 66% do que havia sido arrecadado no ano da implantação do programa.

O programa, conhecido como Remessa Conforme, passou a permitir que empresas de transporte façam a entrega de mercadorias internacionais no Brasil, e incluiu cobrança de imposto de importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50, medida que alterou o fluxo das remessas e reduziu a participação dos Correios.

Receitas por produto e perda de participação de mercado

Entre 2023 e 2025, o maior aumento proporcional foi nos itens classificados como “outros”, que incluem logística, marketing, malote, conveniência e venda de chips, com alta de 13,8%, R$ 117 milhões, mas que representam apenas 7,5% da receita total.

As encomendas cresceram em R$ 107 milhões, e as mensagens em R$ 58 milhões, mas esses incrementos tiveram impacto limitado no resultado consolidado.

Os Correios também perderam participação no mercado de encomendas, saindo de 51% em 2019 para 22% em 2025, segundo levantamento apresentado pela empresa.

Plano de reestruturação, cortes e PDV

O plano apresentado pela direção prevê cortes e medidas para recuperar a empresa, incluindo redução de custos com pessoal, venda de imóveis e fechamento de agências.

Entre as medidas listadas estão corte de R$ 2 bilhões em gastos com pessoal, venda de R$ 1,5 bilhão em imóveis não operacionais, fechamento de mil pontos de venda deficitários e reformulação do plano de saúde para reduzir o custo em R$ 500 milhões anuais.

A companhia informou que vai implementar um Programa de Demissão Voluntária, com a meta de reduzir em 15 mil o número total de funcionários, o que equivale a cerca de 18% da folha de pagamentos.

O presidente Emmanoel Rondon afirmou que, na opinião da direção, “O monopólio de cartas em centros urbanos ou em locais que geravam rentabilidade passou a não ser suficiente para financiar as comunicações físicas que estão ligadas a universalização do serviço postal em locais remotos ou locais que são originalmente deficitários”, e também avaliou que o modelo econômico-financeiro da empresa deixou de ser “viável”.

Captações, empréstimos e metas para 2027

Para equilibrar o caixa, os Correios contrataram recentemente um empréstimo de R$ 12 bilhões junto a instituições financeiras, com objetivo de quitar dívidas e aliviar o fluxo de caixa.

A ideia inicial da estatal era um empréstimo de R$ 20 bilhões, mas a proposta não foi autorizada pelo Tesouro Nacional em função da taxa de juros oferecida.

Além disso, a empresa anunciou que ainda buscará mais R$ 8 bilhões para manutenção das operações, e que a captação poderá vir via aportes públicos do Tesouro Nacional ou por novo empréstimo.

Na projeção para o futuro, os Correios esperam alcançar R$ 21 bilhões em receita em 2027, e planejam investir R$ 4,4 bilhões entre 2027 e 2030, por meio de captação junto ao Novo Banco de Desenvolvimento do Brics, presidido por Dilma Rousseff, para automação, renovação de frota, modernização de TI e redesenho da malha logística.

O desafio será combinar geração de receitas e cortes de custo para que a estatal retome lucro em 2027, segundo o plano apresentado pela direção.