Correios registram alta em receitas de encomendas e mensagens, mesmo com prejuízo de R$ 6 bilhões, e anunciam busca por R$ 8 bilhões para reestruturação

Empresa registra crescimento tímido em encomendas e mensagens, acumula prejuízo e apresenta plano que pode exigir mais R$ 8 bilhões em 2026

Os Correios voltaram a registrar aumento nas receitas de seus principais produtos, mesmo diante de uma sequência de perdas que já dura 12 trimestres.

O crescimento foi concentrado em encomendas e mensagens, e em uma categoria denominada ‘outros’, mas não foi suficiente para compensar a queda em postagens internacionais e o rombo no resultado operacional.

No final da apresentação do 3º trimestre, a direção revelou medidas de reestruturação e a busca por recursos adicionais para manter a operação no próximo ano, conforme informação divulgada pelo g1.

Receitas por produto e resultado acumulado

Segundo as demonstrações financeiras do 3º trimestre, os Correios registraram receita de R$ 7,2 bilhões com encomendas e R$ 3,6 bilhões com mensagens, valores que representam o maior nível desde 2022 para esses negócios.

Apesar disso, a companhia apresentou, em novembro, um prejuízo de R$ 6 bilhões no trimestre, contra um prejuízo de R$ 2,1 bilhões no mesmo período de 2024, mostrando agravamento das perdas.

Queda nas postagens internacionais e perda de mercado

As postagens internacionais, que eram responsáveis por mais de 20% das receitas dos Correios, registraram uma queda de quase R$ 2 bilhões em relação a 2024, alcançando R$ 1,1 bilhão.

O impacto da mudança regulatória chamada Remessa Conforme foi significativo, com redução de R$ 2,2 bilhões entre o acumulado até setembro de 2023 e 2025, o que representa 66% do que havia sido arrecadado no ano da implantação do programa.

Na disputa por encomendas, os Correios perderam espaço no mercado, saindo de 51% em 2019 para 22% em 2025, segundo levantamento apresentado pela empresa.

Onde houve aumento, e por que não basta

Ao analisar os produtos, o maior crescimento entre 2023 e 2025 ocorreu na categoria que a empresa classifica como ‘outros’, incluindo serviços de logística, marketing, malote, conveniência e venda de chip, com aumento de 13,8%, R$ 117 milhões.

As encomendas, principal produto, também cresceram, com aumento de R$ 107 milhões, o que representou apenas 1,5% em comparação com 2023. Os serviços de mensagens subiram 1,7%, ou R$ 58 milhões, insuficiente para reverter o quadro geral.

Plano de reestruturação, cortes e busca por recursos

O presidente Emmanoel Rondon afirmou que o modelo econômico-financeiro dos Correios deixou de ser viável, e apresentou medidas que procuram restaurar a saúde financeira da empresa.

O plano prevê cortes e receitas extraordinárias, incluindo redução de R$ 2 bilhões em gastos com pessoal, venda de R$ 1,5 bilhão em imóveis não operacionais e fechamento de mil agências, atualmente entre cerca de 5 mil unidades.

A companhia anunciou expectativa de implementar um Programa de Demissão Voluntária para reduzir em até 15 mil o número de funcionários, o que representaria corte de 18% na folha, além de reformulação do plano de saúde para reduzir custo em R$ 500 milhões anuais.

Para recompor o caixa, os Correios informaram que ainda vão buscar mais R$ 8 bilhões para manutenção das operações, via aportes do Tesouro Nacional ou novo empréstimo, conforme análise da direção. Na semana anterior, a empresa contratou um empréstimo de R$ 12 bilhões com instituições financeiras para quitar dívidas e aliviar o caixa.

Rondon afirmou que o plano foi concebido com necessidade declarada de captação de recursos da ordem de R$ 20 bilhões, e que houve ofertas de mercado a taxas consideradas elevadas, levando a empresa a optar por uma rodada menor por enquanto.

Metas de receita e investimentos futuros

A estratégia também inclui buscar novas fontes de receita, com meta de chegar a R$ 21 bilhões em 2027. Em 2024, a receita total foi de R$ 18,9 bilhões, contra R$ 19,2 bilhões em 2023 e R$ 19,8 bilhões em 2022.

Os Correios planejam investir R$ 4,4 bilhões entre 2027 e 2030 com financiamento do Novo Banco de Desenvolvimento do Brics, com recursos destinados à automação de centros, renovação e descarbonização da frota, modernização de TI e redesenho da malha logística.

Em meio ao esforço de ajuste, a companhia estabelece metas para recuperar as contas em 2026 e voltar a ter lucro a partir de 2027, acompanhando a combinação de cortes, vendas de ativos e novas linhas de financiamento.

O monopólio de cartas em centros urbanos ou em locais que geravam rentabilidade passou a não ser suficiente para financiar as comunicações físicas que estão ligadas a universalização do serviço postal em locais remotos ou locais que são originalmente deficitários, afirmou o presidente da empresa, Emmanoel Rondon.