quinta-feira, junho 4, 2026

Correios registram aumento em encomendas e mensagens, mas acumulam prejuízo de R$ 6 bilhões e anunciam reestruturação que pode exigir mais R$ 8 bilhões

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Mesmo com alta nas receitas principais, queda em postagens internacionais e perda de mercado pressionam finanças dos Correios, que planejam cortes e novas captações

Os Correios voltaram a registrar aumento nas receitas com os seus principais produtos, mas seguem em crise financeira, com necessidade de reestruturação profunda.

O crescimento em encomendas e serviços de mensagens foi o maior desde 2022 em valores acumulados até setembro de 2025, porém a receita total caiu em função de mudanças no comércio internacional e na legislação.

Os números e medidas anunciadas pela direção apontam para cortes, venda de imóveis e busca por novos recursos para manter as operações, conforme informação divulgada pelo g1.

Resultados recentes e números-chave

De acordo com as demonstrações do 3º trimestre, os Correios registraram receita de R$ 7,2 bilhões com encomendas e R$ 3,6 bilhões com mensagens. Mesmo assim, em novembro a empresa apresentou um prejuízo de R$ 6 bilhões no 3º trimestre de 2025, ante um prejuízo de R$ 2,1 bilhões no mesmo período de 2024.

As postagens internacionais, que chegaram a responder por mais de 20% das receitas, sofreram forte queda, alcançando R$ 1,1 bilhão em 2025, quase R$ 2 bilhões a menos que em 2024.

Quais produtos cresceram e qual o impacto

Entre 2023 e 2025, o maior aumento percentual ficou com a categoria classificada como “outros”, que reúne logística, marketing, malote, venda de chips e conveniência, com alta de 13,8%, equivalente a R$ 117 milhões, embora represente apenas 7,5% da receita total.

As encomendas aumentaram em R$ 107 milhões no mesmo período, e os serviços de mensagens cresceram 1,7%, ou R$ 58 milhões, mas o impacto na conta final foi limitado frente à queda nas postagens internacionais.

Impacto do programa Remessa Conforme e perda de participação

A redução da receita total está ligada ao programa “Remessa Conforme”, criado pelo Ministério da Fazenda em 2023, que passou a cobrar imposto de importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50 e abriu espaço para empresas de transportes atuarem no frete doméstico.

Segundo as demonstrações, houve uma redução de R$ 2,2 bilhões entre o acumulado até setembro de 2023 e 2025, o que representa 66% do que havia sido arrecadado no ano da implantação do programa. Em termos de mercado, os Correios, que detinham 51% das encomendas em 2019, caíram para 22% em 2025.

Plano de reestruturação, cortes e busca por recursos

Para tentar reverter doze trimestres consecutivos de prejuízo, a direção apresentou um plano que prevê cortes de custos e medidas estruturais. O objetivo é recuperar as contas em 2026 e voltar a ter lucro a partir de 2027.

O plano inclui redução de R$ 2 bilhões em gastos com pessoal, venda de imóveis, fechamento de mil agências e a implementação de um Programa de Demissão Voluntária, com expectativa de redução de 15 mil funcionários, o que representaria corte de 18% na folha de pagamentos.

As metas financeiras do plano detalhado incluem redução em R$ 2,1 bilhões nos custos com pessoal, venda de R$ 1,5 bilhão em imóveis não operacionais, redução de mil pontos de venda deficitários, e reformulação do plano de saúde para reduzir o custo em R$ 500 milhões anuais.

Captações, empréstimos e investimentos futuros

Para aliviar o caixa, a empresa contratou recentemente um empréstimo de R$ 12 bilhões com instituições financeiras para quitar dívidas. A ideia inicial tinha sido um empréstimo de R$ 20 bilhões, que não foi autorizado pelo Tesouro Nacional devido à alta taxa de juros proposta.

Os Correios afirmaram que ainda vão buscar mais R$ 8 bilhões para manutenção das operações, por meio de aportes públicos ou novo empréstimo, e que a melhor forma de captação está em análise. O plano também projeta investir R$ 4,4 bilhões entre 2027 e 2030, com recursos do Novo Banco de Desenvolvimento do Brics, direcionados para automação, renovação e descarbonização da frota, modernização de TI e redesenho da malha logística.

Se as medidas forem implementadas, a expectativa é atingir receita de R$ 21 bilhões em 2027, frente a R$ 18,9 bilhões de 2024, buscando assim estabilizar e recuperar a estatal nos próximos anos.

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