Correios vendem só 3 dos 12 imóveis no primeiro leilão do plano de socorro, arrecadam R$ 9,1 milhões e mantêm previsão de rombo de R$ 5,8 bilhões em 2025
Primeira rodada virtual arrecadou R$ 9,1 milhões com três imóveis vendidos, nove não receberam propostas e serão novamente ofertados nas próximas semanas, segundo a estatal
Os Correios realizaram o primeiro leilão virtual do seu plano de reestruturação e conseguiram vender apenas três dos 12 imóveis colocados em oferta, em uma primeira tentativa de captar recursos para enfrentar a crise financeira.
A venda de patrimônio é uma das medidas do plano anunciado no fim do ano passado, e, segundo a empresa, a estratégia busca racionalizar e otimizar o patrimônio para gerar caixa.
Os números e informações sobre o leilão, e sobre a situação financeira da estatal, foram divulgados em reportagem do g1, conforme informação divulgada pelo g1.
Resultado do primeiro leilão
O leilão realizado na quinta-feira (12) foi o primeiro de uma série de lotes com imóveis que a estatal irá colocar à venda de maneira virtual, para que pessoas físicas e empresas possam apresentar os lances.
Os lances poderiam ser feitos para 12 imóveis em sete estados, e, conforme a apuração, se todos tivessem sido vendidos pelo valor mínimo, a arrecadação seria de mais de R$ 14,5 milhões.
Os Correios venderam três unidades, em Campo Grande (MS), Belo Horizonte (MG) e Caturaí (GO), o que vai gerar um caixa de R$ 9,1 milhões. O imóvel mais caro era o de Belo Horizonte, e o lance mínimo para o prédio comercial de 3 mil metros quadrados na capital mineira era de R$ 8,3 milhões.
Em nota, a estatal afirmou que os imóveis que não receberam propostas nesta etapa serão novamente disponibilizados nos próximos leilões, em continuidade à estratégia de racionalização e otimização do patrimônio da empresa.
Próximos leilões e valores previstos
Já estão previstos novos leilões nas próximas semanas. No dia 26 de fevereiro, 9 imóveis serão leiloados, e o valor mínimo, de todos eles juntos, é de R$ 28,2 milhões.
Além disso, outros seis leilões estão previstos para março e abril, com datas que funcionam como prazo final para os lances: 5 de março, 12 de março, 19 de março, 26 de março, 2 de abril e 9 de abril. Depois do encerramento do período de lances, será feita análise das propostas e será declarado o vencedor do leilão.
Crise financeira dos Correios
A venda de imóveis integra um esforço maior para conter perdas persistentes da estatal. Em 2022, a empresa fechou as contas com mais de R$ 700 milhões no vermelho, e o rombo em 2024 cresceu para R$ 2,5 bilhões.
De janeiro a setembro do ano passado, os Correios registraram prejuízo de R$ 6 bilhões. A própria estatal projeta que vai fechar 2025 no negativo, com um resultado de R$ 5,8 bilhões, e a Diretoria Econômico-Financeira estima que, em 2026, o rombo deve atingir R$ 9,1 bilhões.
Diante desse cenário, a empresa aposta na alienação de ativos, dentre outras ações de reestruturação, para tentar reduzir o déficit e recuperar a saúde financeira ao longo dos próximos anos.