Cotas por empresa para exportação de carne bovina à China podem ser definidas nesta quinta, medida mira tarifa de 55% e protege embarques em trânsito

Governo e setor avaliam mecanismo para limitar exportações por empresa, com foco em preservar mercado e evitar taxação extra

O governo federal se prepara para decidir se vai adotar cotas por empresa para exportação de carne bovina à China, em uma reunião marcada para esta quinta-feira.

A discussão vem após a China ter estabelecido, no ano passado, uma tarifa de 55% aplicável fora da cota de importação, o que elevou a preocupação de autoridades e exportadores brasileiros.

Há ainda uma questão pendente sobre os embarques que já estavam em trânsito quando as medidas chinesas foram anunciadas, e a inclusão desses volumes na cota de 2026 permanece sem resposta. conforme informação divulgada pelo g1

O que está em jogo

A proposta de adotar cotas por empresa para exportação de carne bovina à China visa distribuir o acesso ao mercado chinês entre diferentes frigoríficos, para evitar que poucas empresas concentrem a cota e obriguem outras a pagar a tarifa de 55%.

O assunto envolve interesses comerciais, geopolítica do agronegócio e a necessidade de garantir previsibilidade para os embarcadores brasileiros.

Carne em trânsito, a dúvida considerada “inconclusiva”

Rua comentou ainda que está “inconclusiva” a questão relacionada aos embarques de carne em trânsito, quando a China anunciou suas medidas de salvaguarda, segundo a cobertura informativa.

Ele disse que a China não respondeu sobre o assunto, gerando incerteza sobre se volumes já a caminho serão computados na cota de 2026.

Dados do setor privado indicam, segundo ele, que esses volumes girariam em torno de 250 mil toneladas, um número que pode alterar significativamente a disponibilidade de cota para o próximo ano.

Impacto da tarifa de 55% e cenários possíveis

A tarifa de 55% aplicada fora da cota torna inviáveis financeiramente exportações sem espaço dentro do limite autorizado, o que pressiona o governo a encontrar um mecanismo de distribuição.

Se o Brasil optar por cotas por empresa, frigoríficos menores podem ganhar acesso, mas pode haver contestação de grandes exportadores e necessidade de regras claras sobre critérios e prazos.

Próximos passos e o que observam exportadores

A reunião desta quinta-feira deve discutir critérios de alocação, tratamento de embarques em trânsito e cronograma para 2026. O setor aguarda também uma posição formal da China sobre os volumes já despachados.

Enquanto isso, exportadores tentam avaliar impactos financeiros e logísticos, e acompanham a negociação para reduzir riscos de perda de mercado ou custo adicional pela tarifa, com atenção especial ao desfecho sobre as 250 mil toneladas em discussão.