CPF de Jeffrey Epstein ativo no Brasil, inscrito em 2003, e emails sobre cidadania brasileira aparecem em arquivos do Departamento de Justiça dos EUA

Documentos liberados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos mostram um registro de CPF em nome de Jeffrey Epstein, inscrito em 2003 e em situação regular junto à Receita Federal, e mencionam conversas sobre possível cidadania brasileira

Arquivos recentes do Departamento de Justiça dos EUA incluem referências a um CPF registrado no Brasil em nome de Jeffrey Epstein, apontando para a existência de documentação fiscal do bilionário no país.

A consulta ao cadastro na Receita Federal indica que o registro foi feito em 2003, que está em situação regular, e traz a data de nascimento atribuída a Epstein, 20 de janeiro de 1953.

Estas informações constam nos documentos divulgados e em apurações públicas, conforme informação divulgada pelo g1.

Documento e situação cadastral

A verificação no site da Receita Federal mostra um CPF inscrito em 2003, com a inscrição ativa e em situação regular, e com a data de nascimento registrada como 20 de janeiro de 1953, consulta realizada em 12 de fevereiro de 2026, às 10h48.

Os arquivos do Departamento de Justiça citam o CPF entre os documentos apreendidos, em uma pasta identificada como “Arquivos diversos” relacionada a Jeffrey Epstein, parte de novas liberações de dados que acompanham a divulgação de mais de 3 milhões de arquivos do caso.

Regras da Receita Federal para estrangeiros

A Receita Federal informou que estrangeiros podem solicitar inscrição no CPF mesmo sem residência no Brasil, e que o procedimento está previsto na Instrução Normativa 2.172/2024.

O órgão esclareceu ainda que qualquer medida relacionada ao CPF de uma pessoa estrangeira falecida, como é o caso de Epstein, só pode ser requerida por,

inventariante, cônjuge, companheiro ou o sucessor a qualquer título, no caso de haver bens a inventariar no Brasil; oucônjuge, companheiro, parente ou beneficiário de pensão previdenciária por morte, caso não haja bens a inventariar no Brasil.

Conversas sobre cidadania brasileira

Em trocas de emails datadas de outubro de 2011, Jeffrey Epstein e a empresária e investidora alemã Nicole Junkermann discutiram a possibilidade de o bilionário obter cidadania brasileira.

Em uma das mensagens, Epstein respondeu que a ideia era interessante, mas que os vistos poderiam ser um problema ao viajar para outros países, e houve registro de encontro entre os dois no hotel Ritz no mesmo dia.

Resumo do caso e desdobramentos

O escândalo envolvendo Jeffrey Epstein tramita há anos na Justiça americana, com primeiras investigações abertas em 2005 em Palm Beach, Flórida, por abuso sexual de menores.

Segundo a acusação, Epstein abusou de menores ou recrutou garotas para atos sexuais entre 2002 e 2005, e, de acordo com o governo dos Estados Unidos, o bilionário explorou sexualmente mais de 250 meninas menores de idade.

Em 2008 ele se declarou culpado do crime de exploração de menores e cumpriu 13 meses de prisão, e em 2019 foi preso novamente quando promotores federais consideraram o acordo anterior ilegal.

Epstein foi encontrado morto na prisão em agosto de 2019, e a autópsia concluiu que ele tirou a própria vida, dois dias antes de morrer o bilionário assinou um testamento deixando um patrimônio avaliado em mais de US$ 577 milhões.

Após a morte de Epstein, as acusações diretas contra ele foram retiradas, mas promotores afirmaram que poderiam responsabilizar outras pessoas envolvidas, e advogados das vítimas prometeram buscar indenizações nos tribunais.