quinta-feira, junho 4, 2026

Crescimento do Brasil deve desacelerar em 2026, Banco Mundial projeta 2% após 2,3% em 2025 e alerta concentração do avanço global

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Relatório Perspectivas Econômicas Globais aponta queda do ritmo em mercados emergentes, recuo do crescimento da China e revisão das projeções mundiais para 2026

O Banco Mundial projeta que o crescimento do Brasil deve desacelerar para 2% em 2026, depois de uma estimativa de alta de 2,3% em 2025.

A previsão integra a atualização semestral do relatório Perspectivas Econômicas Globais, que revisou as estimativas de vários países e blocos econômicos para o próximo ano.

O documento também aponta que o avanço global segue concentrado em economias avançadas, com efeito limitado sobre redução da pobreza extrema, conforme informação divulgada pelo g1.

Projeções principais e números globais

Segundo o relatório, o crescimento dos mercados emergentes e das economias em desenvolvimento deve desacelerar para 4% em 2026, em comparação ao crescimento de 4,2% registrado em 2025.

Para o Brasil, a estimativa é de uma expansão de 2% em 2026, após a alta de 2,3% em 2025. As estimativas foram divulgadas nesta terça-feira (13), no relatório semestral Perspectivas Econômicas Globais do Banco Mundial.

Excluindo a China, a instituição estima que a taxa de crescimento dos mercados emergentes e das economias em desenvolvimento será de 3,7% em 2026, sem alterações ante 2025.

O Banco Mundial projeta ainda que o crescimento da China vai diminuir de 4,9% em 2025 para 4,4% em 2026, e informa que Ambas as previsões representam um aumento de 0,4 ponto percentual (p.p.) em comparação à estimativa de junho, refletindo estímulo fiscal e aumento das exportações para mercados fora dos Estados Unidos.

No agregado, o avanço da produção global deve desacelerar ligeiramente para 2,6% em 2026, ante o crescimento de 2,7% registrado em 2025. O número representa uma revisão para cima de 0,2 p.p. em relação às últimas previsões de junho.

O papel dos Estados Unidos e efeitos de tarifas

O relatório atribui cerca de dois terços da revisão para cima ao desempenho melhor do que o esperado na economia dos Estados Unidos, apesar dos problemas no comércio causados por tarifas.

O Banco Mundial prevê que o crescimento do PIB americano atingirá 2,2% em 2026, em comparação com 2,1% em 2025. Segundo a instituição, após um aumento nas importações para superar tarifas no início de 2025, incentivos fiscais maiores devem apoiar o crescimento em 2026, embora o peso das tarifas limite investimento e consumo.

Riscos, desigualdade e alerta do Banco Mundial

Apesar de o relatório indicar que a economia global tem se mostrado mais resiliente do que o esperado, o Banco Mundial adverte que esse crescimento está muito concentrado em países mais avançados e é insuficiente para reduzir a pobreza extrema em mercados emergentes e países em desenvolvimento.

O economista-chefe do Banco Mundial, Indermit Gill, é citado no estudo, com a declaração, “A cada ano que passa, a economia global tem se tornado menos capaz de gerar crescimento e aparentemente mais resiliente à incerteza das políticas”.

O documento ressalta que, se as previsões se mantiverem, a década de 2020 tende a ser a mais fraca para o crescimento global desde os anos 1960, com níveis muito baixos para evitar estagnação e desemprego em mercados emergentes e países em desenvolvimento.

Implicações para o Brasil e o futuro próximo

Para o Brasil, a desaceleração projetada do crescimento do Brasil para 2% em 2026 reforça a necessidade de políticas que estimulem investimento e produtividade, especialmente se a economia global continuar com dinamismo concentrado.

Analistas apontam que a combinação de fatores externos, como demanda global e tarifas, com choques internos pode limitar o potencial de queda da pobreza e a geração de empregos formais.

Em resumo, o Banco Mundial entrega uma leitura cautelosa, com números que mostram resiliência relativa, mas com riscos claros para a capacidade da economia global e do crescimento do Brasil de promover inclusão e redução da pobreza.

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