Criação de 1,27 milhão de empregos formais em 2025, pior saldo desde 2020, impacto da Selic a 15% e quais setores mantiveram contratações

Criação de empregos formais em 2025, saldo de 1.279.498 vagas, influência da Selic a 15% no ritmo de crescimento e distribuição por setores

O Brasil registrou a criação de 1.279.498 empregos com carteira assinada em 2025, o menor saldo anual desde 2020, ano marcado pelo fechamento de vagas durante a pandemia.

O resultado foi explicado pelo governo em parte pelo custo do crédito, com a taxa Selic chegando a 15% ao ano, e por choques setoriais ligados a tarifas externas, segundo autoridades.

Os dados oficiais mostram variação entre setores, com serviços liderando as contratações, e um dezembro que concentrou fechamento de vagas, sinalizando maior fragilidade no fim do ano.

conforme informação divulgada pelo g1.

Por que 2025 teve o pior saldo desde 2020

O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, apontou para o efeito dos juros como fator central no menor saldo de 2025, ao afirmar, “Procurei dialogar com o Banco Central mostrando que poderia levar a um processo de desaceleração do ritmo, não de desaceleração da economia. Não se trata de queda da economia, mas do ritmo de crescimento. Mas um processo de diminuição da velocidade. E isso acabou acontecendo”.

Segundo a avaliação do ministério, a alta da Selic elevou o custo do crédito e reduziu a liquidez disponível para empresas, especialmente na indústria, o que limitou contratações apesar de contratações em todos os setores.

O governo também citou efeitos externos, como o chamado tarifaço dos Estados Unidos, mas disse que o impacto foi menor do que o das altas de juros, na avaliação do ministro: “O tarifaço impactou, claro que sim, mas acho que o impacto dos juros foi maior do que do tarifaço. E o impacto do tarifaço foi amenizado pela política do governo, tomou ações importantes ao longo do tempo”.

Números detalhados e inconsistências no relatório

Os relatórios oficiais trazem o balanço anual, com registros que aparecem em trechos diferentes do material, por exemplo, em um ponto constando que foram registradas “19,9 milhões de admissões e 18,6 milhões de desligamentos” ao longo do ano.

Em outro trecho do mesmo levantamento, os valores aparecem como “26,599 milhões de contratações; 25,320 milhão de demissões”, o que aponta para diferenças de consolidação dos dados entre cortes ou versões do relatório, segundo o documento divulgado.

O histórico anual mostrado pelo governo indica os saldos por ano como segue, com o dado de 2025 na liderança negativa do pós-pandemia: 2025: 1.279.498, 2024: 1.677.575, 2023: 1.455.279, 2022: 2.014.894, 2021: 2.782.295, 2020: – 189.393.

Desempenho por setores e fechamento em dezembro

O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostra que houve criação de vagas em todos os cinco setores, com destaque para serviços, que registrou a maior alta, e para agropecuária e construção civil, que tiveram os menores saldos.

Os números setoriais apresentados são: Serviços: 758,3 mil, Comércio: 247,1 mil, Indústria: 144,3 mil, Construção: 87,9 mil, Agropecuária: 41,9 mil.

Historicamente o mês de dezembro registra fechamento de postos, e em dezembro de 2025 foram encerradas 618,2 mil vagas, ante 555,4 mil em dezembro de 2024, o que ajuda a explicar parte do fraco desempenho anual.

Perspectivas e sinais para 2026

Analistas consultados pelo governo relataram que a combinação de custo de crédito elevado e choques externos reduziu o ritmo de novas contratações, especialmente em segmentos que dependem de exportações para os EUA, como madeira, móveis e calçados.

O ministro destacou ainda que ações de abertura de mercados tomados pelo governo amenizaram parte do impacto do tarifaço, “O presidente Lula abriu novos mercados e isso deu uma amenizada muito grande na história do tarifaço. E ele impactou segmentos pontuais. Olhando para a economia como um todo ele praticamente não foi sentido”, prosseguiu o ministro.

Para 2026, a recuperação do mercado de trabalho formal dependerá da combinação entre queda gradual dos juros, redução do custo do crédito e reação dos setores mais afetados pelas exportações, segundo as análises vinculadas ao levantamento.