Criação de empregos formais 2025 ficou em 1.279.498 vagas, pior saldo desde 2020, juros a 15% e falta de liquidez frearam contratações
Análise aponta que a criação de empregos formais 2025 foi afetada por juros altos e falta de crédito, serviços puxaram vagas, agro e construção registraram menores avanços
A economia brasileira criou menos vagas formais em 2025 em comparação a anos recentes, e especialistas apontam fatores ligados ao custo do crédito como um dos principais freios.
O Ministério do Trabalho e Emprego divulgou dados oficiais que mostram formação de empregos em todos os setores, mas com ritmo mais lento, e dezembro fechou com aumento nos desligamentos.
Os dados e declarações do governo sobre a evolução do mercado de trabalho em 2025 são apresentados a seguir, conforme informação divulgada pelo g1.
Resultado anual e série histórica
Segundo o Caged, a criação de vagas formais em 2025 totalizou 1.279.498 postos, o pior resultado desde 2020, ano da pandemia quando houve fechamento de vagas formais.
A própria divulgação traz a sequência anual: 2025: 1.279.498, 2024: 1.677.575, 2023: 1.455.279, 2022: 2.014.894, 2021: 2.782.295, 2020: – 189.393.
Ao todo, segundo o governo federal, foram registradas no ano passado: 19,9 milhões de admissões e 18,6 milhões de desligamentos. Em outro trecho da divulgação constam os números: ➡️26,599 milhões de contratações;➡️25,320 milhão de demissões.
Impacto dos juros, tarifaço e crédito
O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, atribuiu parte do fraco desempenho à elevação da taxa Selic, que chegou a 15% ao ano em 2025, e ao custo do crédito, que reduziu a liquidez e o ritmo de contratações.
Marinho afirmou, “Procurei dialogar com o Banco Central mostrando que poderia levar a um processo de desaceleração do ritmo, não de desaceleração da economia, Não se trata de queda da economia, mas do ritmo de crescimento, Mas um processo de diminuição da velocidade, E isso acabou acontecendo”.
Sobre o chamado tarifaço, o ministro disse, “O tarifaço impactou, claro que sim, mas acho que o impacto dos juros foi maior do que do tarifaço, E o impacto do tarifaço foi amenizado pela política do governo, tomou ações importantes ao longo do tempo”.
Marinho também afirmou, “O presidente Lula abriu novos mercados e isso deu uma amenizada muito grande na história do tarifaço, E ele impactou segmentos pontuais, Olhando para a economia como um todo ele praticamente não foi sentido”.
Desempenho por setores
Os dados do Caged mostram que houve criação de vagas em todos os cinco setores, mas com desigualdade entre eles. O setor de serviços foi o que mais chegou a contratar no ano.
Os saldos por ramo foram informados assim, Serviços: 758,3 mil, Comércio: 247,1 mil, Indústria: 144,3 mil, Construção: 87,9 mil, Agropecuária: 41,9 mil.
O governo apontou que segmentos da indústria, como madeira, móveis e calçados, sentiram efeitos das medidas dos Estados Unidos, sobretudo por encomendas destinadas ao mercado norte-americano.
Dezembro e comportamento sazonal
Historicamente dezembro registra fechamento de postos formais, e em 2025 o mês encerrou com elevação dos desligamentos. Em dezembro de 2025, foram 618,2 mil vagas encerradas, um aumento em relação a dezembro de 2024, quando 555,4 mil empregos com carteira assinada foram encerrados, segundo a divulgação.
Em suma, a criação de empregos formais 2025 mostra um mercado que ainda gera vagas, mas em ritmo reduzido, com juros altos e custo do crédito citados como principais obstáculos, e com setores como serviços sustentando boa parte do resultado.