quinta-feira, junho 4, 2026

Criação de empregos formais em 2025 fica em 1,279 milhão, pior saldo desde 2020, com Selic a 15% e juros afetando indústria e comércio, diz ministério

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Relatório do Caged aponta criação de empregos formais em 2025 de 1.279.498 vagas, queda frente a 2024, e destaca impacto da alta da Selic e do custo do crédito

O Brasil registrou a criação de 1.279.498 novos empregos com carteira assinada em 2025, resultado que representa o menor saldo anual desde 2020, ano da pandemia da Covid-19.

O dado do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, Caged, mostra que houve crescimento em todos os cinco setores, mas com ritmo mais fraco do que nos anos recentes.

Os números são oficiais, conforme informação divulgada pelo g1.

Saldo anual e comparação com anos anteriores

Segundo o governo federal, foram criados 1.279.498 postos formais em 2025, ante 1.677.575 em 2024 e 1.455.279 em 2023.

Veja os postos de trabalho formais criados por ano, conforme os dados divulgados: 2025: 1.279.498, 2024: 1.677.575, 2023: 1.455.279, 2022: 2.014.894, 2021: 2.782.295, 2020: – 189.393.

Ao todo, segundo o governo federal, foram registradas no ano passado: 19,9 milhões de admissões e 18,6 milhões de desligamentos.

Em outra passagem da divulgação, o material também apontou: ➡️26,599 milhões de contratações;➡️25,320 milhão de demissões.

Quais setores puxaram a geração de vagas

O ramo de serviços foi o principal responsável pela criação líquida de vagas, com destaque para ocupações ligadas a atividades pessoais e de apoio empresarial.

Os números sectoriais divulgados pelo Caged mostram: Serviços: 758,3 mil, Comércio: 247,1 mil, Indústria: 144,3 mil, Construção: 87,9 mil, Agropecuária: 41,9 mil.

Impacto dos juros e declaração do ministro

O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, afirmou que o saldo de 2025 foi afetado pelo impacto dos juros no país, com a taxa Selic chegando a 15% ao ano.

Na fala divulgada, Marinho disse, “Procurei dialogar com o Banco Central mostrando que poderia levar a um processo de desaceleração do ritmo, não de desaceleração da economia. Não se trata de queda da economia, mas do ritmo de crescimento. Mas um processo de diminuição da velocidade. E isso acabou acontecendo”.

O ministro também avaliou que, embora o chamado tarifaço dos Estados Unidos tenha afetado setores pontuais, “o impacto dos juros foi maior do que do tarifaço. E o impacto do tarifaço foi amenizado pela política do governo, tomou ações importantes ao longo do tempo”.

Técnicos do ministério citaram segmentos como madeira, móveis e sapatos, cujas encomendas para os EUA foram afetadas por medidas do presidente norte-americano Donald Trump, mas ressaltaram que a maior dificuldade da indústria foi a falta de liquidez, em razão do custo elevado do crédito.

Desempenho de dezembro e implicações para 2026

Historicamente, dezembro registra fechamento de postos formais no país, e dezembro de 2025 não fugiu à regra, com 618,2 mil vagas encerradas.

Esse número aumentou em relação a dezembro de 2024, quando 555,4 mil empregos com carteira assinada foram encerrados.

O resultado anual mais fraco reforça sinais de que a recuperação do mercado de trabalho enfrenta limites, sobretudo enquanto o custo do crédito permanecer elevado, e aponta para desafios na retomada da criação de vagas em ritmo mais acelerado em 2026.

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