CVM institui equipe para sistematizar informações sobre o Banco Master e a Reag, visando acompanhar investigações, identificar falhas de supervisão e propor aprimoramentos em até três semanas
A Comissão de Valores Mobiliários criou um grupo de trabalho para analisar fatos relacionados ao conglomerado Master, à Reag e a outras entidades conectadas ao caso.
O comitê tem escopo, governança e prazo definidos, e os trabalhos começam em 9 de fevereiro, com conclusão prevista em até três semanas.
Ao final, será produzido um relatório para apreciação e deliberação pelo comitê, conforme informação divulgada pelo g1
Objetivo e funcionamento do grupo
O Comitê de Gestão de Riscos, o CGR, aprovou a criação do grupo com a finalidade de consolidar e sistematizar fatos, processos e informações, visando aprimorar o diagnóstico institucional.
Segundo a CVM, o grupo terá como finalidade o acompanhamento integrado das ações em curso e a prestação de contas à sociedade, além de avaliar, quando cabível, melhorias em regulação, supervisão, governança processual e cooperação institucional.
Em nota, a autarquia informou que, nesta etapa preliminar, o comitê já acessou informações sobre abertura de procedimentos, comunicações a outros órgãos públicos e andamento interno de inquéritos correlatos.
Contexto da liquidação e pagamentos do FGC
A criação do grupo ocorre após a liquidação do Banco Master, decretada pelo Banco Central em 18 de novembro de 2025, quando o BC afirmou que o banco não tinha condições de honrar seus papéis.
O Fundo Garantidor de Créditos informou que já pagou R$ 36 bilhões em garantias a credores do conglomerado Master, valor que corresponde a 89% do montante previsto.
Em número de beneficiários, cerca de 628 mil credores já receberam valores, o que representa 81% do total de pessoas com direito à garantia, segundo o FGC.
O FGC também estimou pagar R$ 6,3 bilhões em garantias relacionadas ao Will Bank, instituição ligada ao Master, com pagamentos previstos após a consolidação da base de credores pelo liquidante.
Apurações sobre a Reag e a engrenagem financeira descrita pelo BC
O caso envolve investigações da Polícia Federal sobre fundos ligados à Reag, com suspeitas de operações usadas para movimentar recursos de forma irregular, inflar resultados e ocultar riscos, com indícios de fraude e lavagem de dinheiro.
O Banco Central afirmou que as relações entre o Master e empresas ligadas à Reag já estavam no radar do órgão desde 2024, e que a CBSF Distribuidora, novo nome da Reag Trust DTVM, teve sua liquidação extrajudicial decretada em 15 de janeiro de 2026.
Em documento citado na apuração, o BC descreveu uma estrutura em que recursos circulariam por fundos administrados pela Reag e retornariam ao próprio Banco Master, criando aparência de solidez e dificultando o rastreamento.
Como exemplo, o BC citou uma operação de abril de 2024 em que o Banco Master concedeu um empréstimo de R$ 459 milhões à Brain Realty Consultoria, que dois dias depois transferiu R$ 450 milhões para um fundo do grupo, e o dinheiro circulou entre outros fundos em questão de minutos.
O BC relatou ainda que o fundo High Tower comprou títulos do extinto Besc por cerca de R$ 850 milhões, mas registrou em balanço que eles valiam mais de R$ 10 bilhões, o que inflaria patrimônio e rentabilidade, e parte desses papéis foi revendida a outros fundos por valores bilionários.
Próximos passos e impactos potenciais
O grupo da CVM deve consolidar informações para subsidiar decisões, e o relatório final será submetido ao CGR para deliberação, podendo apontar mudanças em supervisão e regulação.
Investigações da Polícia Federal e apurações do Banco Central seguem em paralelo, e o desfecho pode trazer implicações para administradores, controladores e para a regulação de fundos no país.
Clientes e credores foram orientados pelo FGC a manterem notificações do aplicativo ativas para receber alertas sobre etapas necessárias à conclusão dos pagamentos.