quinta-feira, junho 4, 2026

CVM cria grupo de trabalho para analisar informações sobre Banco Master, Reag e entidades ligadas ao caso, com início em 9 de fevereiro e prazo de até três semanas

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CVM formará equipe para consolidar fatos e processos envolvendo o Banco Master, a Reag e fundos, visando diagnóstico institucional, integração de ações e possíveis mudanças regulatórias

A Comissão de Valores Mobiliários criou um grupo de trabalho com escopo, governança e prazo definidos para examinar informações relacionadas ao Banco Master, à Reag e a entidades conectadas.

Os trabalhos devem começar em 9 de fevereiro, com prazo estimado de até três semanas, e ao final será produzido um relatório para apreciação do Comitê de Gestão de Riscos.

O movimento ocorre após a liquidação do Banco Master e em meio a investigações da Polícia Federal e apurações do Banco Central sobre suspeitas de fraudes financeiras, conforme informação divulgada pelo g1.

O objetivo do grupo e o que será analisado

<pSegundo a autarquia, o Comitê de Gestão de Riscos, o CGR, aprovou a criação do grupo para consolidar e sistematizar fatos, processos e informações.

O trabalho visa aprimorar o diagnóstico institucional, acompanhar de forma integrada as ações em curso e prestar contas à sociedade, além de avaliar melhorias em regulação, supervisão, governança processual e cooperação institucional quando couber.

Na fase preliminar, o comitê afirmou ter acessado informações sobre abertura de procedimentos nos últimos anos, comunicações a outros órgãos públicos e andamento interno de inquéritos correlatos.

Contexto: liquidação do Banco Master e pagamentos do FGC

O grupo foi formado depois da liquidação do Banco Master, decretada pelo Banco Central em 18 de novembro de 2025, quando o BC afirmou que o banco não tinha condições de honrar seus papéis.

O Fundo Garantidor de Créditos, o FGC, informou que já pagou R$ 36 bilhões em garantias a credores do conglomerado Master, valor que corresponde a 89% do montante previsto.

Em número de beneficiários, cerca de 628 mil credores receberam valores, o que representa 81% do total de pessoas com direito à garantia, segundo o FGC.

O FGC também estimou pagar R$ 6,3 bilhões em garantias relacionadas ao Will Bank, instituição ligada ao Master que também foi liquidada, e informou que esses pagamentos devem começar após a consolidação da base de credores pelo liquidante.

Reag, DTVM e apurações sobre fundos

O caso envolve apurações sobre a atuação da Reag na estruturação e administração de fundos de investimento, com investigações da Polícia Federal sobre possível uso de fundos para movimentar recursos de forma irregular, inflar resultados e ocultar riscos, com indícios de fraude e lavagem de dinheiro.

No centro das apurações está a CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, nome adotado pela Reag Trust DTVM, administradora de fundos do grupo, cuja liquidação extrajudicial foi decretada pelo Banco Central em 15 de janeiro de 2026.

O BC afirmou que a decisão decorreu do descumprimento de regras legais e prudenciais, comprometendo a capacidade da empresa de operar de forma segura, e que os bens de controladores e ex-administradores ficaram indisponíveis, nos termos da legislação.

Como o Banco Central descreveu a suposta engrenagem financeira

Em documento citado na investigação, o Banco Central descreveu uma estrutura usada para inflar artificialmente o patrimônio de fundos e mascarar riscos do Banco Master, com circulação de recursos entre fundos administrados pela Reag e retorno ao próprio banco.

Uma operação apontada ocorreu em abril de 2024, quando, segundo o BC, o Banco Master concedeu um empréstimo de R$ 459 milhões à Brain Realty Consultoria, e dois dias depois a Brain transferiu R$ 450 milhões para o fundo Brain Cash, administrado pela Reag.

O BC descreve que o dinheiro passou rapidamente por outros fundos do grupo em questão de minutos, e que o High Tower comprou títulos do extinto Besc que custaram cerca de R$ 850 milhões, embora o fundo registrasse em balanço que eles valiam mais de R$ 10 bilhões, o que inflaria patrimônio e rentabilidade.

Parte desses títulos teria sido revendida a outros fundos administrados pela Reag por valores bilionários, e os recursos iniciais teriam retornado ao Banco Master por meio de aplicações em CDBs, criando aparências de solidez, liquidez e dificultando o rastreamento do dinheiro.

Investigações em curso e próximos passos

Além da Polícia Federal, o Banco Central manteve o caso no radar desde 2024, segundo comunicado do próprio BC, e a criação do grupo na CVM vai permitir mapear e integrar informações entre áreas internas e outros órgãos.

Ao fim dos trabalhos, previsto em até três semanas a partir de 9 de fevereiro, o grupo entregará um relatório para deliberação do Comitê de Gestão de Riscos, e a CVM poderá propor ajustes regulatórios e de supervisão quando for cabível.

Para o público afetado, o FGC orientou clientes a manterem as notificações do aplicativo ativas para serem alertados sobre etapas necessárias para a conclusão do processo.

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