Grupo terá até três semanas para consolidar fatos sobre fundos e operações suspeitas envolvendo Banco Master e Reag, e poderá sugerir mudanças em regulação e supervisão
A Comissão de Valores Mobiliários criou um grupo de trabalho para analisar informações relacionadas ao conglomerado Master, à Reag e a outras entidades conectadas ao caso.
O comitê interno de gestão de riscos aprovou escopo, governança e prazo, com início previsto para 9 de fevereiro e prazo estimado de até três semanas para conclusão.
O objetivo é consolidar fatos, processos e informações, aprimorar o diagnóstico institucional e acompanhar de forma integrada as ações em curso, conforme informação divulgada pelo g1.
O que fará o grupo da CVM
Segundo a autarquia, o Comitê de Gestão de Riscos aprovou a criação do grupo com escopo definido, e ao final será produzido um relatório para apreciação e deliberação pelo comitê.
Em fase preliminar, o comitê já acessou dados de áreas internas de supervisão, fiscalização e acusação, incluindo abertura de procedimentos ao longo dos últimos anos, comunicações feitas a outros órgãos públicos e andamento interno de inquéritos correlatos.
A CVM disse que a iniciativa faz parte de mecanismos regulares de governança e gestão de riscos, e que o grupo terá como finalidade consolidar e sistematizar fatos e processos para acompanhar de forma mais integrada as ações em curso.
Pagamentos do FGC e situação dos credores
O Fundo Garantidor de Créditos informou que já pagou R$ 36 bilhões em garantias a credores do conglomerado Master, valor que corresponde a 89% do montante previsto.
Em número de beneficiários, cerca de 628 mil credores já receberam valores, o que representa 81% do total de pessoas com direito à garantia, segundo o próprio FGC.
O fundo também estimou pagar R$ 6,3 bilhões relacionados ao Will Bank, instituição ligada ao Master e igualmente liquidada, e informou que os pagamentos a esse grupo devem começar após a consolidação da base de credores pelo liquidante.
Investigações sobre Reag e a engrenagem financeira descrita pelo BC
O caso envolve apurações da Polícia Federal e do Banco Central sobre a atuação da Reag na estruturação e administração de fundos, com suspeitas de operações para movimentar recursos de forma irregular, inflar resultados e ocultar riscos, com indícios de fraude e lavagem de dinheiro.
O Banco Central afirmou que as relações entre o Master e empresas ligadas à Reag estavam no radar desde 2024, e que, em 15 de janeiro de 2026, decretou a liquidação extrajudicial da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, novo nome da Reag Trust DTVM, encerrando imediatamente suas atividades.
O BC informou que a liquidação da DTVM não atinge os fundos sob gestão, que permanecem ativos e devem buscar novos administradores, e que bens de controladores e ex-administradores ficam indisponíveis, conforme prevê a legislação.
Em documento citado na investigação, o Banco Central descreveu operações em que recursos circularam por diferentes fundos administrados pela Reag e retornaram ao próprio Banco Master, criando aparência de solidez e dificultando o rastreamento do dinheiro.
Um episódio citado na apuração ocorreu em abril de 2024, quando o Banco Master concedeu um empréstimo de R$ 459 milhões à empresa Brain Realty Consultoria, e, dois dias depois, a Brain transferiu R$ 450 milhões para o fundo Brain Cash, administrado pela Reag, com movimentações rápidas entre fundos no mesmo dia.
O BC relatou que um dos fundos envolvidos, o High Tower, usou recursos para comprar títulos antigos do extinto Banco do Estado de Santa Catarina, que custaram cerca de R$ 850 milhões, mas foram registrados em balanço com valor superior a R$ 10 bilhões, inflando patrimônio e rentabilidade, e que parte desses papéis foi revendida entre fundos por valores bilionários.
Possíveis desdobramentos e mudanças na supervisão
A CVM afirmou que o grupo poderá, quando cabível, avaliar melhorias estruturais em regulação, supervisão, governança processual e cooperação institucional, com vistas a aprimorar controles e prevenir riscos sistêmicos.
O relatório final produzido pelo grupo será submetido à apreciação do Comitê de Gestão de Riscos, e pode orientar futuras medidas administrativas ou recomendações para fortalecer a fiscalização do mercado.
Enquanto isso, credores e clientes foram orientados a manter notificações do aplicativo do FGC ativas para receber alertas sobre etapas necessárias para a conclusão dos pagamentos e demais procedimentos.