quinta-feira, junho 4, 2026

Daniel Vorcaro Banco Master, conexões com políticos e ministros, buscas da PF, bloqueio de bens de R$ 5,7 bilhões e contratos jurídicos milionários

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Segunda fase da operação da Polícia Federal cumpriu mandados em 42 endereços, bloqueou mais de R$ 5,7 bilhões e ampliou o foco sobre as conexões entre Daniel Vorcaro, o Banco Master e atores políticos e jurídicos

Nos primeiros desdobramentos da nova fase da investigação, a Polícia Federal realizou buscas em endereços ligados a familiares e executivos do banco, enquanto crescem os questionamentos sobre o alcance das relações do empresário no universo político e no Judiciário.

Os procedimentos incluem medidas determinadas pelo ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, que também autorizou o bloqueio de bens e valores que superam R$ 5,7 bilhões, e envolveram ações em vários estados do país.

Esses elementos fazem parte do caso sob sigilo no STF, conforme informação divulgada pelo g1.

Operação, bloqueios e impacto financeiro

A segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em 14 de janeiro, cumpriu mandados de busca e apreensão em 42 endereços, em São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Rio Grande do Sul e Minas Gerais.

Por determinação do ministro Dias Toffoli, houve também o bloqueio de bens e valores que superam R$ 5,7 bilhões. A ação mira, entre outros, o fundador e CEO do Banco Master, Daniel Vorcaro, seu pai, sua irmã e o cunhado Fabiano Campos Zettel.

O banco, que tinha R$ 63 bilhões em ativos financeiros antes da liquidação, foi fechado pelo Banco Central em novembro, após suspeitas envolvendo a venda de carteiras de crédito consignado por R$ 12,2 bilhões ao Banco de Brasília, transação que passou a ser investigada pela PF.

O Master concentrava R$ 41 bilhões em depósitos, e somava cerca de 1,6 milhão de investidores, valores que explicam a apreensão sobre o impacto no Fundo Garantidor de Créditos, que terá de responder por uma fatia expressiva dessas perdas.

Conexões políticas e doações

As apurações revelaram laços de Vorcaro com políticos de diferentes espectros, e também com operadores que teriam atuado para viabilizar negociações envolvendo o banco. Ciro Nogueira, presidente nacional do PP, e Antonio Rueda, presidente do União Brasil, foram citados pela imprensa como interlocutores em tentativas de negociação com o BRB.

O governo do Distrito Federal, do governador Ibaneis Rocha, chegou a sancionar uma lei para autorizar operação do BRB com participação no Master, embora o Banco Central tenha vetado a compra. O BRB também é alvo da operação da PF.

Doações eleitorais ligadas ao entorno do banqueiro chamam atenção, em especial as transferências do cunhado Fabiano Campos Zettel, que repassou R$ 3 milhões para a campanha presidencial de Jair Bolsonaro e R$ 2 milhões à campanha de Tarcísio de Freitas em 2022, segundo apurações.

Laços com o Judiciário e contratos jurídicos

Entre as peças que passaram a integrar o inquérito estão contratos de elevado valor assinados entre o Master e escritórios de advocacia. No celular de Vorcaro foi encontrado um contrato de R$ 129 milhões firmado com o escritório da advogada Viviane Barsi de Moraes, esposa do ministro do STF Alexandre de Moraes.

Segundo reportagens, o documento previa pagamentos mensais de R$ 3,6 milhões por três anos a partir de 2024, sem descrever causas específicas, determinando atuação ampla para representar o banco onde fosse necessário.

Mensagens internas indicavam que o pagamento ao escritório era tratado como prioridade, embora o acordo não tenha sido integralmente executado por causa da liquidação do banco. O episódio levou a questionamentos sobre a proximidade entre executivos do Master e integrantes do Judiciário.

O STF e o Banco Central emitiram notas, e a assessoria do tribunal afirmou que reuniões foram motivadas por outros assuntos, relacionando contatos com a aplicação da chamada lei Magnitsky, sem atuação do escritório perante o Banco Central na aquisição entre Master e BRB.

Quem é Daniel Vorcaro e por que o caso preocupa

Natural de Belo Horizonte, o banqueiro de 42 anos assumiu o controle do banco Maxima e rebatizou a instituição como Banco Master, adotando uma estratégia de captação baseada em CDBs com remunerações altas, que atraíram muitos investidores.

Vorcaro acumulou visibilidade por gastos e estilo de vida ostentoso, investimentos em setores como hotéis de luxo e participação em esportes, e por contratar ou manter conselheiros e consultores com histórico em áreas públicas, o que ampliou sua rede de contatos.

Defesas ligadas ao empresário afirmaram que ele tem “colaborado integral e continuamente com as autoridades competentes“, e que “todas as medidas judiciais determinadas no âmbito da investigação serão atendidas com total transparência“.

Especialistas ouvidos pela imprensa destacam que o que mais preocupa não é apenas o tamanho do banco, mas a capacidade de um grupo relativamente pequeno de influenciar múltiplos ambientes institucionais. Como disse o economista Cleveland Prates Teixeira, “O que me chama atenção nesse caso é a capacidade de um sujeito que tem um banco pequeno de botar braço para tudo quanto é lado num ambiente político e institucional e contaminar isso,” citando a reportagem.

O caso segue em investigação no STF, sob sigilo, com decisões que incluem transferência do inquérito para a Corte e medidas cautelares destinadas a preservar informações consideradas sensíveis ao mercado financeiro.

Autoridades e advogados ainda deverão detalhar nas próximas etapas da investigação as responsabilidades, a eventual existência de ilícitos e os efeitos do processo sobre o sistema financeiro e os investidores afetados.

Informações e dados citados nesta reportagem foram obtidos a partir de apurações publicadas, conforme informação divulgada pelo g1.

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