quinta-feira, junho 4, 2026

Daniel Vorcaro chega a Brasília para depoimento no STF sobre liquidação do Banco Master, acareação com ex-presidente do BRB e diretor do BC

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Ao chegar ao Supremo, Daniel Vorcaro vai prestar depoimento em acareação que investiga a venda rejeitada do Banco Master e decisões do Banco Central

O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, desembarcou em Brasília na manhã desta terça-feira, e seu depoimento integra um procedimento que pode definir divergências entre executivos e regulador.

As oitivas foram marcadas para a tarde, e têm caráter de instrução, com possibilidade de acareação se forem encontradas diferenças relevantes nas versões.

Todo o procedimento será acompanhado por um juiz auxiliar do gabinete do ministro Dias Toffoli, do STF, e por um representante do Ministério Público, conforme informação divulgada pelo g1.

Chegada e agenda dos depoimentos

Segundo relatos, “O carro onde Vorcaro estava entrou na garagem do Supremo Tribunal Federal (STF).” A chegada ocorreu após um voo de carreira, “Vorcaro chegou em um voo de carreira no Aeroporto de Brasília por volta das 11h.”

Às 14h, a Polícia Federal vai colher os depoimentos de Daniel Vorcaro, do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, e do diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino Santos.

Após as oitivas, a delegada responsável avaliará se há divergências relevantes entre as versões, e, se entender necessário, poderá determinar a realização de uma acareação entre os envolvidos.

O que a investigação apurou até agora

A apuração, iniciada em 2024 na Justiça Federal, aponta que o banco adquiriu créditos de uma empresa chamada Tirreno sem efetuar pagamento e, em seguida, “vendeu esses ativos ao BRB, que teria desembolsado cerca de R$ 12 bilhões.”

O Banco Central decidiu pela liquidação do Master em novembro, entre outros motivos, pela falta de dinheiro em caixa para cumprir compromissos financeiros. Investigadores afirmam que o Master não teria recursos suficientes para honrar títulos com vencimento em 2025.

As negociações para a venda do Master ao BRB envolveram Vorcaro e Paulo Henrique Costa, que defendia a aquisição como solução para a crise, antes de ser demitido do comando do BRB por investigações da Polícia Federal sobre fraudes bancárias.

Acareação determinada por Toffoli e reações

A acareação foi determinada pelo ministro Dias Toffoli, relator do inquérito no STF, e o caso tramita em sigilo desde dezembro. “No dia 24 de dezembro, Toffoli marcou a acareação de ofício, sem pedido da Polícia Federal ou do Ministério Público.”

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, chegou a pedir a suspensão da medida por considerá-la prematura, mas o pedido foi negado. O Banco Central recorreu ao STF questionando pontos da acareação, incluindo a urgência durante o recesso e a condição em que seu diretor foi convocado.

Toffoli rejeitou o recurso e afirmou que “nem o BC nem Ailton de Aquino são investigados”, mantendo a data do procedimento, por considerar o impacto relevante dos fatos no sistema financeiro.

Entidades do setor financeiro divulgaram notas em defesa da autonomia e da atuação técnica do Banco Central, alertando que rever decisões como a liquidação pode fragilizar o regulador e gerar instabilidade no sistema financeiro.

Possíveis divergências e próximos passos

Investigadores apontam chance de divergência no depoimento do diretor do BC, Ailton de Aquino, que, embora não seja investigado, analisou alternativas técnicas que incluíam aporte de recursos, troca de diretoria, venda e liquidação.

A venda do Master ao BRB foi vetada pela Diretoria de Organização do Sistema Financeiro do BC, e a decisão final pela liquidação foi aprovada por unanimidade pela diretoria colegiada do Banco Central.

Com os depoimentos de hoje, a delegada decidirá sobre a necessidade de acareação, e o desfecho pode influenciar investigações sobre operações entre o Banco Master e o BRB, além de repercutir na avaliação do papel do regulador no mercado.

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