Daniel Vorcaro depoimento em Brasília: chegada ao STF, acareação marcada por Toffoli e possíveis divergências sobre venda do Banco Master
Vorcaro chegou por volta das 11h, a Polícia Federal vai colher depoimentos a partir das 14h, e delegada pode determinar acareação entre envolvidos no caso
Daniel Vorcaro depoimento chegou a Brasília na manhã desta terça-feira, 30, quando o carro em que ele estava entrou na garagem do Supremo Tribunal Federal, após desembarcar em um voo de carreira no Aeroporto de Brasília por volta das 11h.
Os depoimentos serão colhidos pela Polícia Federal, a partir das 14h, envolvendo também o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, e o diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino Santos, em diligência que tramita no STF.
Todo o procedimento será acompanhado por um juiz auxiliar do gabinete do ministro Dias Toffoli e por um representante do Ministério Público, conforme informação divulgada pelo g1.
Chegada a Brasília e cronograma das oitivas
A chegada de Daniel Vorcaro foi registrada pela movimentação na garagem do STF, depois do desembarque no Aeroporto de Brasília por volta das 11h. A Polícia Federal iniciou a coleta de depoimentos a partir das 14h, com expectativa de ouvir também Paulo Henrique Costa e Ailton de Aquino Santos.
Após as oitivas, a delegada responsável avaliará se existem divergências relevantes entre as versões, e, se entender necessário, poderá determinar a realização de uma acareação entre os envolvidos.
Possíveis divergências e o papel do diretor do BC
Investigadores apontam possibilidade de divergência no depoimento de Ailton de Aquino Santos. Embora não seja investigado, o diretor do Banco Central analisou, por obrigação técnica, alternativas que incluíam aporte de recursos, troca de diretoria, venda e, por fim, a liquidação do Master.
Segundo a apuração da Polícia Federal, como as etapas anteriores não avançaram, a Diretoria de Fiscalização, em conjunto com sua equipe, recomendou a liquidação, e a decisão final da Diretoria Colegiada do BC aprovou a liquidação por unanimidade.
Decisão de Toffoli e reação do setor financeiro
A acareação foi determinada por Dias Toffoli, relator do inquérito que investiga fraudes financeiras envolvendo o Banco Master e o BRB, em procedimento que tramita em sigilo no STF desde o início de dezembro.
No dia 24 de dezembro, Toffoli marcou a acareação de ofício, sem pedido da Polícia Federal ou do Ministério Público. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu a suspensão da medida, por considerá-la prematura, mas o pedido foi negado.
O Banco Central recorreu ao STF pedindo esclarecimentos sobre a acareação, questionando pontos como a urgência do procedimento durante o recesso do Judiciário e a condição em que seu diretor foi convocado. Toffoli rejeitou o recurso, afirmou que nem o BC nem Ailton de Aquino são investigados, e manteve a data do procedimento, citando impacto relevante dos fatos apurados sobre o sistema financeiro.
Investigação sobre o Banco Master e impactos
A investigação, iniciada em 2024 na Justiça Federal, aponta que o Banco Master teria adquirido créditos da empresa Tirreno sem efetuar pagamento, e, em seguida, vendido esses ativos ao BRB, que teria desembolsado cerca de R$ 12 bilhões.
O Banco Central rejeitou a compra do Master pelo BRB e decretou a liquidação da instituição em novembro, citando, entre outros motivos, a falta de dinheiro em caixa para cumprir compromissos financeiros.
Entidades do setor financeiro divulgaram notas em defesa da autonomia e da atuação técnica do Banco Central, alertando que a revisão de decisões como a liquidação pode fragilizar a autoridade do regulador e gerar instabilidade no sistema financeiro.