Carro que transportou Vorcaro entrou na garagem do STF, depoimentos começam às 14h com Polícia Federal, há risco de acareação entre Vorcaro, Paulo Henrique Costa e diretor do BC
O dono do Banco Master chegou a Brasília na manhã desta terça-feira, em voo de carreira, e seguiu diretamente ao Supremo Tribunal Federal, onde o carro em que estava entrou na garagem do prédio.
As oitivas marcadas pela Polícia Federal começam às 14h, com a previsão de depoimentos do próprio Vorcaro, do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, e do diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino Santos.
Ao final das entrevistas, a delegada responsável vai avaliar se há divergências relevantes entre as versões e se será necessária uma acareação entre os envolvidos.
conforme informação divulgada pelo g1
Chegada, cronograma e acompanhamento judicial
Segundo apuração, Vorcaro desembarcou em Brasília por volta das 11h, e o carro que o transportava entrou na garagem do Supremo. A Polícia Federal marcou as oitivas para começar às 14h, com a presença também do juiz auxiliar do gabinete do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, e de um representante do Ministério Público.
Após as declarações, a delegada analisará as provas e depoimentos, e se entender necessário, poderá determinar a realização de uma acareação entre os investigados e testemunhas. A expectativa é por esclarecimentos sobre as negociações entre o Banco Master e o BRB.
Negociações entre Master e BRB e possíveis divergências
As investigações apontam que Vorcaro e Paulo Henrique Costa participaram das negociações para a venda do Banco Master ao Banco de Brasília, o BRB. Paulo Henrique Costa, antes de ser demitido do comando do BRB, defendia a compra do Master como solução para a crise da instituição.
Investigadores apontam que pode haver divergência no depoimento de Ailton de Aquino Santos, diretor de Fiscalização do Banco Central. Embora não seja investigado, Ailton, por obrigação técnica, analisou alternativas que incluíam aporte de recursos, troca de diretoria, venda e, por fim, a liquidação.
Decisão do Banco Central, veto à venda e posição da diretoria
Segundo apuração da Polícia Federal, como as etapas anteriores não avançaram, a Diretoria de Fiscalização recomendou a liquidação do Master. A venda do Master ao BRB foi vetada pela Diretoria de Organização do Sistema Financeiro do Banco Central, comandada por Renato Gomes.
A decisão final sobre a liquidação foi tomada pela diretoria colegiada do Banco Central, que aprovou a liquidação por unanimidade. O Banco Central argumentou, entre outros motivos, falta de recursos para cobrir compromissos financeiros.
Contexto da investigação, transações e reações do mercado
A apuração indica que o banco adquiriu créditos de uma empresa chamada Tirreno sem efetuar pagamento e, em seguida, vendeu esses ativos ao BRB, que teria desembolsado cerca de R$ 12 bilhões.
A Polícia Federal registrou que, segundo investigação, o Banco Master não teria recursos suficientes para honrar títulos com vencimento em 2025, o que motivou a atuação do Banco Central e, posteriormente, a decretação de liquidação em novembro.
A interlocução entre o STF, a Polícia Federal e o Banco Central gerou questionamentos administrativos e jurídicos. O relator do inquérito, ministro Dias Toffoli, determinou a acareação de ofício, no dia 24 de dezembro, medida que chegou a ter pedido de suspensão feito pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, mas que teve o pedido negado.
O Banco Central recorreu ao Supremo pedindo esclarecimentos sobre a acareação, incluindo questionamentos sobre a urgência do procedimento durante o recesso e a forma de convocação do diretor do BC, mas o relator manteve a data, ressaltando o impacto dos fatos apurados no sistema financeiro.
Entidades do setor financeiro divulgaram notas em defesa da autonomia e da atuação técnica do Banco Central, alertando que a revisão de decisões como a liquidação de uma instituição pode fragilizar a autoridade do regulador e gerar instabilidade no sistema financeiro.
As próximas horas devem trazer novos detalhes sobre as declarações de Vorcaro, Paulo Henrique Costa e Ailton de Aquino Santos, e se a delegada decidirá pela acareação, o que pode ser determinante para a continuidade das investigações que correm em segredo de Justiça no Supremo.