Daniel Vorcaro depoimento no STF: chegada a Brasília para acareação com ex-presidente do BRB e diretor do BC sobre venda do Banco Master e liquidação

Preso no centro da investigação, Daniel Vorcaro presta depoimento no STF em procedimento que pode esclarecer negociações com o BRB e decisões do Banco Central

Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, chegou a Brasília na manhã desta terça-feira (30), para prestar depoimento no Supremo Tribunal Federal, conforme a investigação que tramita em sigilo, e para a acareação marcada pelo relator do caso.

O deslocamento de Vorcaro e a realização das oitivas reúnem Polícia Federal, juiz auxiliar do gabinete do ministro Dias Toffoli, e representante do Ministério Público, em um procedimento que pode definir se haverá confrontação direta entre as versões.

As informações sobre a chegada e o cronograma das oitivas foram divulgadas pelo g1, e a apuração acompanha o desenrolar dos depoimentos e possíveis divergências entre os convocados, conforme informação divulgada pelo g1.

Chegada a Brasília e agenda das oitivas

Daniel Vorcaro depoimento no STF ocorre após sua chegada ao Aeroporto de Brasília por volta das 11h, e o carro em que estava entrou na garagem do Supremo, conforme reportagem do g1.

Segundo a Polícia Federal, “Polícia Federal vai colher, a partir das 14h, os depoimentos de Vorcaro, do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, e do diretor de Fiscalização do Banco Central do Brasil, Ailton de Aquino Santos.”, informação divulgada pelo g1.

Todo o procedimento será acompanhado por um juiz auxiliar do gabinete do ministro Dias Toffoli, do STF, e por um representante do Ministério Público, e a delegada responsável avaliará se há divergências relevantes entre as versões, o que pode resultar em acareação.

O que está sendo investigado

A investigação, iniciada em 2024 na Justiça Federal, apura operações do Banco Master, entre elas a compra de créditos de uma empresa chamada Tirreno sem pagamento, e a posterior venda desses ativos ao BRB.

Conforme apuração citada pelo g1, em um dos trechos da investigação, os ativos foram vendidos ao BRB, “que teria desembolsado cerca de R$ 12 bilhões.”, e a insuficiência de recursos do Master para honrar títulos com vencimento em 2025 motivou a atuação da polícia e do Banco Central.

Decisão do Banco Central e acareação no STF

A venda do Master ao BRB foi vetada pela Diretoria de Organização do Sistema Financeiro do BC, comandada por Renato Gomes, e a decisão final foi tomada pela diretoria colegiada do Banco Central, “que aprovou a liquidação por unanimidade.”, conforme matéria do g1.

A acareação foi determinada por Dias Toffoli, relator do inquérito, e sua marcação em 24 de dezembro incluiu decisão de manter a data mesmo após recurso do Banco Central e pedido do procurador-geral da República.

Como noticiou o g1, “o procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu a suspensão da medida, por considerá-la prematura, mas o pedido foi negado.”, e o relator afirmou haver impacto relevante dos fatos apurados sobre o sistema financeiro.

Reações do mercado e próximos passos

Entidades do setor financeiro publicaram notas em defesa da autonomia do Banco Central, alertando que questionamentos sobre decisões técnicas, como liquidação de instituições, podem fragilizar a autoridade do regulador e gerar instabilidade.

Após as oitivas, a delegada decidirá se há necessidade de acareação presencial entre Vorcaro, Paulo Henrique Costa e Ailton de Aquino Santos, e o resultado dos depoimentos pode definir novos desdobramentos no inquérito que apura fraudes envolvendo o Banco Master e o BRB.