Depoimentos começam às 14h, Vorcaro entrou na garagem do STF após chegar em voo de carreira, e Polícia Federal avaliará divergências entre versões antes de decidir acareação
O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, foi levado ao Supremo Tribunal Federal para prestar declarações no inquérito que apura operações envolvendo a venda do Master ao BRB.
Vorcaro chegou em um voo de carreira no Aeroporto de Brasília por volta das 11h.
A Polícia Federal vai colher, a partir das 14h, os depoimentos de Vorcaro, do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, e do diretor de Fiscalização do Banco Central do Brasil, Ailton de Aquino Santos., conforme informação divulgada pelo g1
Chegada ao STF e logística
O carro onde Vorcaro estava entrou na garagem do Supremo Tribunal Federal (STF), em procedimento acompanhado por segurança e agentes da Polícia Federal.
O deslocamento ocorreu durante a manhã, após o desembarque no aeroporto, e a previsão era que os depoimentos se iniciassem à tarde, no ambiente controlado da investigação.
Oitiva, autoridades presentes e possibilidade de acareação
A delegada responsável vai avaliar se há divergências relevantes entre as versões apresentadas, e, se entender necessário, poderá determinar a realização de uma acareação entre os envolvidos.
Todo o procedimento será acompanhado por um juiz auxiliar do gabinete do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, e por um representante do Ministério Público.
Divergências técnicas, papel do Banco Central e investigação
Segundo investigadores, há uma chance de divergência no depoimento de Ailton de Aquino Santos, diretor de Fiscalização do Banco Central, por causa das alternativas técnicas que foram analisadas para a crise do Master.
Segundo a Polícia Federal, o Banco Master não teria recursos suficientes para honrar títulos com vencimento em 2025.
Segundo apuração da PF, como as etapas anteriores não avançaram, a Diretoria de Fiscalização, em conjunto com sua equipe, recomendou a liquidação. A venda do Master ao BRB foi vetada pela Diretoria de Organização do Sistema Financeiro do BC, comandada por Renato Gomes.
A decisão final foi tomada pela diretoria colegiada do Banco Central, que aprovou a liquidação por unanimidade.
Decisão de Toffoli, reação do setor e próximos passos
A acareação foi determinada por Dias Toffoli, relator do inquérito que investiga fraudes financeiras envolvendo o Banco Master e o BRB.
No dia 24 de dezembro, Toffoli marcou a acareação de ofício, sem pedido da Polícia Federal ou do Ministério Público. Na mesma data, o procurador-geral da República pediu a suspensão da medida, mas teve o pedido negado.
Na sexta-feira (26), o Banco Central recorreu ao STF pedindo esclarecimentos sobre a acareação. No sábado (27), Toffoli rejeitou o recurso, afirmou que nem o BC nem Ailton de Aquino são investigados e manteve a data do procedimento, alegando impacto relevante dos fatos apurados sobre o sistema financeiro.
Entidades do setor financeiro também manifestaram preocupação, publicando notas em defesa da autonomia e da atuação técnica do Banco Central, e alertaram para possíveis efeitos sobre a confiança do mercado.