Daniel Vorcaro e Banco Master, conexões com políticos e juristas, mandados da PF, bloqueio de R$ 5,7 bilhões e apuração no STF sobre impacto ao FGC
Na segunda fase da Operação Compliance Zero, a Polícia Federal ampliou buscas e apreensões contra o Banco Master e pessoas ligadas a Daniel Vorcaro, enquanto o caso avança sob relatoria do STF
A Polícia Federal cumpriu mandados em 42 endereços em São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Rio Grande do Sul e Minas Gerais, e houve bloqueio de bens e valores que superam R$ 5,7 bilhões.
Foram alvos, entre outros, o próprio Daniel Vorcaro, o pai, a irmã e o cunhado Fabiano Campos Zettel, além dos empresários Nelson Tanure e João Carlos Mansur.
As medidas marcam a segunda fase da Operação Compliance Zero, que investiga a liquidação do Banco Master e a venda de carteiras de crédito ao BRB, com suspeita de negócio de R$ 12,2 bilhões, conforme informação divulgada pelo g1
Busca, bloqueio e alcance das medidas
Os mandados da Justiça foram determinados pelo ministro Dias Toffoli, do STF, que também autorizou o bloqueio de mais de R$ 5,7 bilhões.
A ação incluiu 42 endereços e atingiu parentes e sócios do grupo ligado ao banco, em uma etapa que amplia o escopo das apurações iniciadas em novembro.
A defesa de Vorcaro afirmou que ele tem, e cito, “colaborado integral e continuamente com as autoridades competentes“, e que “todas as medidas judiciais determinadas no âmbito da investigação serão atendidas com total transparência“.
Conexões políticas que chamam atenção
Mesmo pequeno em tamanho, o Banco Master passou a figurar em investigações por causa das ligações de Vorcaro com figuras políticas de diferentes espectros.
Reportagens apontam intermediários como Ciro Nogueira e Antonio Rueda, que teriam ajudado a negociar uma venda do banco ao BRB, negócio que foi vetado pelo Banco Central.
O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, chegou a sancionar lei que autorizava o BRB a adquirir participação no banco, e o ex-presidente do BRB foi intimado a depor na investigação.
Também foram citados doadores e operadores financeiros, como Fabiano Campos Zettel, que, segundo reportagens, fez doações milionárias a campanhas em 2022 e é sócio de fundos de private equity.
Relações jurídicas e suspeitas de influência
Mensagens e documentos apreendidos apontaram a existência de contrato milionário com o escritório da esposa do ministro Alexandre de Moraes, identificado como valor de R$ 129 milhões, com pagamentos previstos de R$ 3,6 milhões por mês por três anos, segundo reportagens que investigaram os autos.
O caso também registrou episódios que levantaram questionamentos sobre proximidade entre agentes públicos e representantes do banco, como viagem em jatinho particular com o ministro Dias Toffoli, registrada na imprensa.
Toffoli, ao assumir a relatoria e determinar sigilo, justificou que o inquérito envolve informações econômicas sensíveis, com potencial impacto no mercado financeiro.
Riscos ao sistema, dimensão da quebra e perfil de Vorcaro
O Banco Master tinha cerca de R$ 63 bilhões em ativos financeiros e R$ 41 bilhões em depósitos, com 1,6 milhão de investidores, números que tornaram sua liquidação relevante para o sistema.
Especialistas e autoridades avaliaram que a quebra pode gerar impacto expressivo no Fundo Garantidor de Crédito, e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, chegou a declarar que pode ser a “maior fraude bancária” do país.
Daniel Vorcaro, de 42 anos, tornou-se conhecido por uma estratégia de captação via CDBs com taxas elevadas e por gastos de luxo, além de manter ligações com políticos e ex-autoridades, o que alimenta a atenção sobre possíveis contaminações institucionais.
As investigações seguem sob sigilo no STF e envolvem avaliações sobre a operação financeira entre o Master e o BRB, a conduta de executivos e eventuais responsabilidades administrativas e criminais.
Autoridades ainda não apontaram ilegalidade nas conexões políticas e jurídicas reveladas, e as apurações prometem detalhar os laços, as negociações e o impacto econômico nas próximas fases do processo.