Daniel Vorcaro em Brasília para depoimento, acareação no STF sobre venda do Banco Master ao BRB, decisões do BC e reação do mercado financeiro
O dono do Banco Master prestará depoimento à Polícia Federal em Brasília, com oitivas previstas e avaliação sobre divergências que podem levar a acareação, acompanhado por autoridades do STF e do MP
Daniel Vorcaro chegou a Brasília na manhã desta terça-feira, ele desembarcou em voo de carreira e, segundo relatos, o carro em que estava entrou na garagem do Supremo Tribunal Federal.
As oitivas da Polícia Federal foram marcadas para começar a partir das 14h, e, além de Vorcaro, serão ouvidos o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, e o diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino Santos.
Após as entrevistas, a delegada responsável avaliará se há divergências relevantes entre as versões, e, se necessário, poderá determinar a realização de uma acareação, conforme informação divulgada pelo g1.
Chegada e cronograma das oitivas
Daniel Vorcaro chegou a Brasília em voo de carreira por volta das 11h, e o carro em que estava entrou na garagem do STF, segundo registro feito pela reportagem.
As oitivas da Polícia Federal estão previstas a partir das 14h, e todo o procedimento será acompanhado por um juiz auxiliar do gabinete do ministro Dias Toffoli, do STF, e por um representante do Ministério Público.
Negociações, possíveis divergências e acareação
Vorcaro e Paulo Henrique Costa participaram conjuntamente das negociações para a venda do Banco Master ao BRB, banco público do governo do Distrito Federal, e há expectativa de que as versões apresentadas sejam confrontadas.
Segundo a Polícia Federal, Ailton de Aquino Santos não é investigado, mas, por obrigação técnica, analisou alternativas para a crise do Master, incluindo aporte de recursos, troca de diretoria, venda e, por fim, a liquidação, o que pode gerar divergências nas depoências.
Decisão de Toffoli e repercussão institucional
A acareação foi determinada pelo ministro Dias Toffoli, relator do inquérito que investiga fraudes financeiras envolvendo o Banco Master e o BRB, e o caso tramita em sigilo no STF desde o início de dezembro.
No dia 24 de dezembro, Toffoli marcou a acareação de ofício, sem pedido da Polícia Federal ou do Ministério Público, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu a suspensão da medida por considerá-la prematura, pedido este que foi negado.
O Banco Central recorreu ao STF questionando pontos da acareação, e, segundo a apuração, Toffoli rejeitou o recurso e manteve a data do procedimento, destacando o impacto relevante dos fatos apurados sobre o sistema financeiro.
O que a investigação aponta e risco ao sistema
A investigação, iniciada em 2024 na Justiça Federal, aponta que o banco adquiriu créditos de uma empresa chamada Tirreno sem efetuar pagamento e, em seguida, vendeu esses ativos ao BRB, que teria desembolsado cerca de R$ 12 bilhões.
O Banco Central rejeitou a compra do Master pelo BRB e decretou a liquidação da instituição em novembro, entre outros motivos, pela falta de dinheiro em caixa para cumprir compromissos, segundo a Polícia Federal.
Entidades do setor financeiro reagiram em defesa da autonomia e da atuação técnica do Banco Central, alertando que revisar decisões como a liquidação pode fragilizar o regulador e gerar instabilidade no sistema financeiro.