Daniel Vorcaro nega envolvimento em ataques ao Banco Central e pede ao STF investigação sobre influenciadores que teriam sido pagos para criticar o BC

Defesa de Daniel Vorcaro afirma desconhecer coordenação de ataques ao Banco Central, e pede ao STF apuração sobre pagamentos a influenciadores e supostas fake news

A defesa de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, enviou ao Supremo Tribunal Federal um documento negando qualquer participação em práticas de disseminação de desinformação contra o Banco Central.

No pedido, os advogados solicitam a abertura de investigação para apurar a propagação do que classificam como fake news e eventuais crimes contra a honra, com o objetivo de demonstrar a ausência de vínculo entre o banqueiro e ataques virtuais.

Os episódios nas redes sociais se intensificaram em dezembro, após a liquidação do Banco Master, e incluem relatos de propostas pagas a criadores digitais, segundo informação divulgada pelo g1.

O que a defesa alegou ao STF

Segundo o documento enviado ao STF, a defesa pede que sejam investigadas mensagens e postagens que teriam atacado a imagem do Banco Central, para que se verifique se houve compra de opiniões ou coordenação. A peça afirma que a apuração é necessária para demonstrar que Daniel Vorcaro não tem relação com os ataques virtuais que ganharam força em dezembro.

Relatos de influenciadores e detalhes de contratos

Um criador de conteúdo de São Paulo relatou ao g1, sob condição de anonimato, que recebeu R$ 7,8 mil por uma única postagem com críticas ao Banco Central, publicada em dezembro, e que o pagamento teria partido da conta de Thiago Miranda, dono da Miranda Comunicação. Ele disse que apagou o conteúdo dois dias depois e afirma ter devolvido o valor recebido.

O influenciador também declarou, conforme o relato ao g1, “Num primeiro momento, agi de boa-fé. Não tinha entendido que vinha de Vorcaro. Achei interessante, diferente do que eu estava pensando”, e que depois percebeu que sua opinião estava sendo comprada.

O contrato ao qual o g1 teve acesso previa a produção de oito vídeos por mês, no formato reels, durante três meses, e que, ao fim do período, com desconto de comissão, o criador receberia R$ 188 mil. O documento estabelecia ainda que o influenciador não teria obrigação de fazer apuração própria ou checagem adicional, devendo se limitar a comentários informativos em tom neutro.

Procurado pelo g1, Thiago Miranda não respondeu. A Olivetto Comunicação, citada no contrato como intermediária, informou em nota que apenas indicou influenciadores para eventual produção de vídeos sobre temas em alta, que nenhum aceitou a proposta, e que não houve contratação nem veiculação de conteúdo.

Vereador relata proposta e cláusulas de confidencialidade

O vereador Rony Gabriel (PL-RS) afirmou ter recebido um contrato preliminar para participar de uma campanha contra o Banco Central, e disse que, em negociações, ouviu que o contratante seria Daniel Vorcaro, embora tenha recusado o trabalho.

O contrato mencionava um “Projeto DV”, previa cláusula de confidencialidade por cinco anos e estabelecia multa de R$ 800 mil em caso de quebra de sigilo. Rony afirmou que o cachê oferecido era “de milhões, no plural”.

PF, federações e próximos passos da apuração

A Federação Brasileira de Bancos identificou uma enxurrada de ataques ao Banco Central no mesmo período. A Polícia Federal deve investigar se houve ação coordenada para difundir críticas à autoridade monetária após a liquidação do Banco Master.

A defesa de Daniel Vorcaro busca que o STF autorize averiguações para apurar supostas fake news e crimes contra a honra, e para, segundo os advogados, demonstrar a inocência do banqueiro em relação às postagens identificadas nas redes sociais.

O caso segue em apuração entre relatos de influenciadores, contratos preliminares e a possibilidade de investigação pela PF, com a expectativa de que novas informações sejam apresentadas ao Supremo e às autoridades competentes.