quinta-feira, junho 4, 2026

Déficit primário do governo em 2025 chega a R$ 61,7 bilhões, aumento de 32% sobre 2024, meta fiscal é cumprida com exclusões e tolerância do arcabouço

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Após piora de 32% em relação a 2024, o déficit primário de R$ 61,7 bilhões em 2025 foi compatibilizado com a meta fiscal por meio de exclusões e margem de tolerância

As contas do governo fecharam 2025 com um déficit primário de R$61,7 bilhões, segundo dados divulgados pelo Tesouro Nacional.

O resultado mostra piora ante 2024, quando o rombo foi de R$42,9 bilhões, e é o pior desempenho desde 2023, quando as perdas somaram R$ 250,1 bilhões, valor corrigido pela inflação.

As informações sobre o desempenho das contas e os detalhes sobre exclusões e tolerância foram tornadas públicas, conforme informação divulgada pelo g1

Resultado, variações e explicação técnica

As contas do governo registraram um déficit primário de R$61,7 bilhões em 2025, informou Tesouro Nacional nesta quinta-feira (29).

O déficit primário ocorre quando as receitas com tributos e impostos ficam abaixo as despesas do governo. Se as receitas excedem as despesas, o resultado é um superávit primário. Esses valores não englobam os juros da dívida pública.

Em comparação ao acumulado do ano anterior, a receita total apresentou elevação de R$ 90,8 bilhões, ou 3,2%, enquanto a receita líquida cresceu R$ 64,3 bilhões, ou 2,8%, em termos reais frente ao mesmo período de 2024, segundo o Tesouro.

Em dezembro de 2025 a receita total aumentou R$ 7,6 bilhões na comparação interanual, e a receita líquida cresceu R$ 3,9 bilhões.

Por que a meta fiscal foi considerada cumprida

A meta fiscal oficial para 2025 tinha como objetivo zerar o rombo das contas públicas. No entanto, o novo arcabouço fiscal prevê uma margem de tolerância de 0,25 ponto percentual, o que permite variação de até R$ 31 bilhões para cima ou para baixo em relação ao objetivo.

Além disso, alguns itens foram excluídos do cálculo da meta, o que ampliou o espaço fiscal. Foram abatidos R$ 41,15 bilhões em precatórios, R$ 2,83 bilhões por ressarcimento a aposentados e pensionistas, R$ 2,5 bilhões em despesas com projetos estratégicos de defesa nacional, e R$ 2,2 bilhões em despesas temporárias na educação.

Somando essas deduções, o Tesouro aponta que o rombo de 2025 poderia chegar a até R$ 79,65 bilhões sem que a meta fosse formalmente descumprida, portanto a meta fiscal foi atingida apesar do resultado primário negativo.

Fatores que influenciaram as receitas e próximos passos

O Tesouro atribui parte da elevação da receita a efeitos como aumento do Imposto Sobre Operações Financeiras, Explorações de Recursos Naturais, e redução de dividendos, entre outros.

Para mercados e formuladores de política, o dado revela um quadro fiscal mais apertado em relação a 2024, mesmo com a formalidade da meta preservada. A combinação de déficit maior e ajustes contábeis indica que o espaço para novos gastos pode ficar mais restrito, e que a vigilância sobre receitas extraordinárias tende a aumentar.

Em resumo, o país encerrou 2025 com um déficit primário de R$ 61,7 bilhões, avanço das receitas em termos reais, e cumprimento formal da meta graças a exclusões e margem de tolerância previstas no arcabouço fiscal, segundo o Tesouro Nacional.

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