Democratas dos EUA pedem a Trump fim do tarifaço contra o Brasil e repudiam ataque à democracia brasileira
Cerca de 50 congressistas democratas dos Estados Unidos enviaram uma carta ao presidente Donald Trump pedindo o fim das tarifas impostas ao Brasil. A oposição a Trump critica fortemente os argumentos utilizados para justificar o tarifaço e as sanções contra autoridades brasileiras, considerando-os um **uso indevido e ilegal da Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA)**.
Na carta, datada de quinta-feira e com publicação prevista para sexta-feira, os democratas argumentam que, em vez de uma política comercial punitiva, os EUA deveriam trabalhar em conjunto com o Brasil para promover o **desenvolvimento sustentável, a proteção ambiental e os direitos dos trabalhadores**. Eles ressaltam a importância do Brasil como parceiro dos Estados Unidos na América Latina e incentivam o aprofundamento da cooperação mútua.
As críticas dos democratas também se estendem aos argumentos do governo Trump para aplicar as tarifas, incluindo a alegação de que o ex-presidente Jair Bolsonaro estaria sendo perseguido pela Justiça brasileira. Os congressistas **condenam as tentativas de Trump de minar a democracia no Brasil** e seus esforços fracassados em proteger Bolsonaro de ser responsabilizado por tentar um golpe de Estado.
Em correspondências anteriores, os democratas já haviam classificado o tarifaço como uma tentativa de Trump de **”defender colega golpista”** e um **”claro abuso de poder”**. Apesar da pressão americana, Bolsonaro foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 27 anos e 3 meses de prisão em outubro e está detido na sede da Polícia Federal em Brasília desde o final de novembro.
Derrubada parcial do tarifaço representa vitória diplomática
No final de novembro, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva obteve sucesso na derrubada parcial das tarifas impostas pelos Estados Unidos a diversos produtos brasileiros. Lula celebrou a decisão como uma **”vitória do diálogo, da diplomacia e do bom senso”**.
A Casa Branca anunciou a **retirada da tarifa de 40% para mais de 200 produtos agrícolas brasileiros**, incluindo carne bovina, café, açaí e cacau. Esses itens foram incluídos em uma “lista de exceções” após negociações diretas, com validade retroativa a 13 de novembro, data de uma reunião entre o ministro das Relações Exteriores brasileiro, Mauro Vieira, e o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio.
Sanções contra Alexandre de Moraes também foram retiradas
Outra conquista diplomática para o governo brasileiro foi a **retirada das sanções da Lei Magnitsky impostas ao ministro do STF, Alexandre de Moraes**. A decisão representa um alívio para o ministro e demonstra um avanço nas relações bilaterais.
A pressão dos democratas contra a política tarifária de Trump e a defesa da democracia brasileira reforçam a importância da **cooperação internacional e do respeito às instituições democráticas** como pilares para o avanço das relações comerciais e diplomáticas entre os países.
As ações de Trump em relação ao Brasil foram criticadas por **prejudicar a liderança dos EUA na região** e por contrariar os princípios de livre comércio e cooperação mútua. A expectativa é que, com a mudança de abordagem, os laços comerciais e a parceria estratégica entre Brasil e Estados Unidos possam ser fortalecidos.