DF perde garantia da União por nota baixa em gestão fiscal, Capag cai para C e dificulta empréstimo para reforçar BRB, governo propõe uso de imóveis

Sem aval federal por causa de nota baixa em gestão fiscal, Distrito Federal terá custo maior para captar recursos, e governo tenta usar imóveis e outras garantias para socorrer o BRB

O Distrito Federal perdeu a possibilidade de ter a União como avalista em novas operações de crédito, por conta da nota baixa em gestão fiscal atribuída ao ente em 2025.

Com a queda da avaliação da Capacidade de Pagamento, o DF terá de buscar financiamentos sem a garantia federal, o que tende a encarecer empréstimos e reduzir prazos e volume de oferta.

O cenário complica a tentativa do governo de aportar recursos no Banco de Brasília, o BRB, que viu seu capital ser afetado por operações com o Banco Master, conforme informação divulgada pelo g1.

O que mudou na avaliação do Capag

A avaliação da Capag do Distrito Federal caiu de B para C em 2025, segundo dados do Tesouro Nacional. A principal razão foi a poupança corrente, que mostrou que 95,27% da arrecadação do DF é destinada a despesas correntes, deixando pouco espaço para investimentos ou pagamento de dívidas.

No detalhamento do índice, o DF obteve nota A em endividamento, nota B em liquidez relativa, e nota C na poupança corrente, resultado que determinou a perda da possibilidade de a União atuar como avalista em operações de crédito.

Impacto na tentativa de reforçar o BRB

O governo do DF é acionista controlador do BRB, com participação de 71,92%, e cabe a ele recompor o capital do banco para atender às regras do sistema financeiro.

Sem a garantia da União, o DF tende a enfrentar juros mais altos e condições menos favoráveis, o que encarece qualquer operação para aportar recursos no banco, e aumenta a pressão sobre as medidas alternativas apresentadas pelo governo.

Medidas propostas e riscos associados

Uma das alternativas em discussão é oferecer nove imóveis públicos de grande porte como garantia, operação que poderia viabilizar um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões, segundo documentos citados pelo g1. A proposta exige aprovação da Câmara Legislativa do DF e enfrenta resistência política.

Outra possibilidade é recorrer a mecanismos como o Fundo Garantidor de Crédito, citados no plano preventivo do BRB entregue ao Banco Central. Em caso de inadimplência futura, os imóveis oferecidos poderiam ser alienados para honrar o compromisso.

Contexto de investigação e prazos

As operações com o Banco Master prejudicaram o patrimônio do BRB, e há investigações em curso, com a Polícia Federal apurando fortes indícios de fraude em carteiras incorporadas ao banco.

O BRB tem até o dia 31 de março para divulgar o balanço do segundo semestre de 2025, documento no qual o mercado espera medidas concretas para recompor capital e recuperar confiança, e o Tribunal de Contas do DF reúne nove processos para apurar o tamanho do rombo no banco, conforme informação divulgada pelo g1.

Em 2025, a União já pagou R$ 11,1 bilhões em dívidas atrasadas de estados e municípios, o que demonstra o papel relevante do aval federal na redução do risco de mercado, e explicita por que a perda da garantia é um problema para o DF.