Criação de aplicativos e marcação em supermercados facilita evitar itens americanos, consumidores usam UdenUSA para checar origem e preferir alternativas europeias
Na Dinamarca, consumidores decidiram transformar a indignação política em ação nas prateleiras, escolhendo não comprar produtos americanos.
Aplicativos que identificam a origem de alimentos e sinais nas etiquetas tornaram essa opção mais prática para quem quer evitar itens dos Estados Unidos.
O movimento ganhou força após as ameaças do presidente Donald Trump à Groenlândia, e organizações e ferramentas digitais passaram a orientar escolhas no supermercado, conforme informação divulgada pelo g1
Como funciona o aplicativo UdenUSA e o que mudou nas lojas
O app chamado UdenUSA permite que o usuário escaneie produtos com o smartphone para verificar sua procedência e sugerir alternativas de produtores europeus, tornando mais simples o boicote a produtos dos EUA.
Segundo a cobertura original, o UdenUSA ficou em primeiro lugar entre os aplicativos gratuitos na App Store da Dinamarca, sinalizando que a ferramenta rapidamente se tornou popular entre os consumidores.
Algumas redes varejistas passaram a marcar produtos de origem europeia com uma estrela na etiqueta de preço, para facilitar a identificação de alternativas locais.
Mobilização social, intensidade do boicote e alcance
O boicote também ganhou espaço nas redes sociais, com um grupo dedicado na plataforma Facebook que tem, o grupo tem atualmente mais de 100 mil membros em um país de cerca de 6 milhões de habitantes.
A iniciativa funciona tanto como protesto simbólico quanto como prática de consumo consciente, unindo quem desaprova as declarações políticas com quem prefere apoiar produtores mais próximos.
Impacto econômico, avaliações de especialistas
Contudo, o impacto geral do boicote permanece incerto. A economia da Dinamarca é relativamente pequena e apenas um número limitado de produtos alimentícios é importado diretamente dos EUA.
Mesmo que um número significativo de consumidores evite produtos americanos, é improvável que isso resulte em consequências econômicas ou políticas significativas, disse Sascha Raithel, professor de marketing da Universidade Livre de Berlim.
O que observar a seguir
O caso dinamarquês mostra como tensões diplomáticas podem repercutir no consumo, especialmente quando há ferramentas digitais que facilitam a ação coletiva.
Nos próximos meses, será preciso observar se a mobilização se mantém, se mais apps surgem com funções semelhantes e se redes de varejo adotam novas formas de sinalizar a origem dos produtos.