Dinamarqueses lançam boicote a produtos dos EUA, app UdenUSA vira líder na App Store e grupo soma mais de 100 mil membros após ameaça à Groenlândia
Boicote a produtos dos EUA cresce em supermercados dinamarqueses com aplicativos que identificam origem de alimentos, consumidores adotam alternativas europeias e impacto econômico é incerto
O boicote a produtos dos EUA passou a ser uma forma visível de protesto nas prateleiras dos supermercados da Dinamarca, com consumidores escolhendo marcas por país de origem.
Novos aplicativos permitem escanear códigos de barras e identificar se um alimento vem dos Estados Unidos, sugerindo alternativas europeias, e rapidamente ganharam adesão entre usuários.
A mobilização também se organizou nas redes sociais, com um grupo dedicado a boicotes reunindo muitos participantes em um país relativamente pequeno.
conforme informação divulgada pelo g1
Como funciona o aplicativo e quem criou
Um desses aplicativos, o UdenUSA (“Sem EUA”, em tradução literal), foi desenvolvido pelo dinamarquês Jonas Pipper, de 21 anos, e seu amigo Malthe Hensberg.
O objetivo do app é simples, escanear o produto no supermercado e sinalizar o país de origem, além de sugerir alternativas de produtores europeus, facilitando que consumidores que apoiam o boicote a produtos dos EUA façam escolhas alinhadas ao protesto.
A adesão do público e presença nas lojas
O UdenUSA ficou em primeiro lugar entre os aplicativos gratuitos na App Store da Dinamarca, o que mostra a rapidez com que a ferramenta se espalhou entre os consumidores interessados no boicote a produtos dos EUA.
Além do app, algumas redes de supermercados passaram a marcar produtos de origem europeia com uma estrela na etiqueta de preço para tornar a identificação mais fácil no dia a dia.
O grupo tem atualmente mais de 100 mil membros em um país de cerca de 6 milhões de habitantes, um indicativo do alcance do movimento entre a população dinamarquesa.
Impacto econômico e avaliação de especialistas
Apesar da visibilidade, o impacto econômico do boicote a produtos dos EUA ainda é incerto, porque a economia da Dinamarca é relativamente pequena e poucos itens alimentícios são importados diretamente dos Estados Unidos.
“Mesmo que um número significativo de consumidores evite produtos americanos, é improvável que isso resulte em consequências econômicas ou políticas significativas, disse Sascha Raithel, professor de marketing da Universidade Livre de Berlim.”
Para muitos dinamarqueses, o boicote funciona mais como um gesto político e simbólico do que como uma medida com potencial de alterar relações comerciais em grande escala.
O episódio começou após ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de tomar a Groenlândia, e ganhou força entre grupos e desenvolvedores locais que transformaram o protesto em ferramentas práticas para o consumidor.