Dívida pública sobe para 78,7% do PIB em 2025, Selic a 15% e gastos do governo pressionam juros e endividamento, avaliam Banco Central e Haddad

Com aumento de despesas, reajustes e estímulos, a dívida pública alcança R$ 10 trilhões, despesas com juros somam R$ 1 trilhão, e o Tesouro projeta 83,6% do PIB em 2026

A dívida bruta do setor público consolidado avançou para 78,7% do Produto Interno Bruto, o equivalente a R$ 10 trilhões, segundo divulgação do Banco Central nesta sexta-feira.

O endividamento era, ao fim de 2024, de R$ 9 trilhões, ou 76,3% do PIB, e subiu pontos percentuais ao longo de 2025, com reflexos sobre a economia e sobre a política monetária.

O aumento ocorre em meio a maior gasto público, reajustes e medidas de estímulo, que elevaram a pressão inflacionária e forçaram juros mais altos, conforme informação divulgada pelo g1.

Por que a dívida cresceu, e quem aponta a causa

O governo e o mercado divergem sobre a origem do avanço da dívida pública. Para o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, “A dívida está aumentando pelo juro alto, não está aumentando pelo déficit porque o déficit está menor”, afirmando que os juros elevados são o principal motor do crescimento do endividamento.

Analistas, por outro lado, destacam que o aumento de gastos e de estímulos tem obrigado o Banco Central a elevar a taxa básica, em resposta à pressão sobre preços, e que essa elevação da Selic, por sua vez, amplia as despesas com juros da dívida.

Impacto dos juros e das despesas com encargos

Para conter a inflação, o Banco Central elevou a taxa Selic a 15% ao ano em 2025, o maior nível em quase 20 anos, o que elevou o custo do serviço da dívida. As despesas com juros do setor público somaram R$ 1 trilhão no ano passado, ou 7,91% do PIB, pressionando ainda mais o endividamento.

Como a Selic corrige boa parte dos títulos, a alta da taxa traduz-se diretamente em maior despesa com pagamento de juros, reduzindo espaço fiscal para investimentos e para crescimento econômico.

Medidas do governo e projeções futuras

No terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a dívida já avançou sete pontos percentuais em três anos. O Tesouro Nacional projeta que a dívida pública atingirá 83,6% do PIB no fim de 2026, e que seguirá em alta nos anos seguintes, segundo dados oficiais.

Entre os fatores que aumentaram os gastos, estão a PEC da transição, o reajuste real do salário mínimo, o pagamento de precatórios atrasados, reajustes a servidores, e medidas que injetaram recursos na economia, como ampliação do Minha Casa Minha Vida e liberação do saque-aniversário do FGTS.

Cenário internacional, comparação e caminhos para ajuste

No padrão do Fundo Monetário Internacional, que inclui títulos públicos na carteira do Banco Central, a dívida brasileira somou 93,4% do PIB em dezembro do ano passado, patamar usado para comparação internacional.

Relatórios recomendam reduzir a dívida para faixas entre 46% e 55% do PIB na América Latina, para aumentar confiança e permitir queda dos juros. Especialistas estimam que um ajuste fiscal de cerca de dois pontos do PIB seria necessário para reverter o déficit e permitir a queda da Selic, reduzindo assim as despesas com juros.

O arcabouço fiscal aprovado em 2023 estabeleceu limites para o crescimento das despesas, mas analistas e a própria equipe econômica admitem que novas mudanças e medidas para conter gastos obrigatórios serão necessárias para estabilizar a dívida pública no médio prazo.