Relatório do Tesouro mostra que 54,5% das garantias são externas, estados respondem por 68,8% do saldo, e bancos federais concentram 93,5% das operações internas
O saldo devedor de garantias concedidas pela União em operações de crédito totalizou R$ 336,65 bilhões ao fim dos quatro últimos meses de 2025, segundo dados oficiais. O número reúne empréstimos internos e externos cobertos pela garantia federal.
Do montante, R$ 153,33 bilhões correspondem a operações de crédito internas, equivalendo a 45,5%, enquanto R$ 183,32 bilhões são operações externas, ou 54,5% do total. O relatório detalha credores, entes e estatais envolvidos.
As garantias envolveram bancos federais, organismos multilaterais e estados e municípios, e incluem um empréstimo bilionário aos Correios, que passou a integrar o saldo em 2025, conforme informação divulgada pelo g1.
Como se formou o total de R$ 336,65 bilhões
As operações internas somaram R$ 153,33 bilhões, com destaque para os bancos federais, que concentram 93,5% desse montante, ou R$ 143,33 bilhões. As operações externas, no valor de R$ 183,32 bilhões, são majoritariamente com organismos multilaterais, que respondem por 95,4%, ou R$ 174,94 bilhões.
Entre as operações que puxaram o crescimento do saldo, está o contrato de garantia da União para os Correios, com valor total de R$ 12 bilhões, firmado em dezembro de 2025 com um consórcio de bancos formado pelo Banco do Brasil, Itaú Unibanco, Bradesco e Caixa Econômica Federal.
Do financiamento aos Correios, R$ 10 bilhões foram pagos em 2025 pelos bancos e, por isso, passaram a integrar o saldo devedor das operações de crédito garantidas pela União no período.
Quem são os credores e os entes devedores
Nos credores das operações internas, os bancos federais concentram a esmagadora maioria, com R$ 143,33 bilhões, ou 93,5% do total interno. Nos externos, organismos como BIRD, BID, CAF e NDB lideram, com R$ 174,94 bilhões, ou 95,4% do total externo.
Quanto aos devedores, os estados respondem por 68,8% do saldo devedor, ou R$ 230,99 bilhões. Os municípios representam 17,5%, equivalendo a R$ 59,02 bilhões, e os bancos federais aparecem com 7,2%, ou R$ 24,34 bilhões.
Entre os entes, o estado de São Paulo tem o maior saldo, com 11,3% do total, ou R$ 38,05 bilhões, seguido pelo Rio de Janeiro, com 8,3%, ou R$ 28,04 bilhões.
Estatais e o caso dos Correios
As estatais federais representam 3,8% do saldo total das garantias. Nesse grupo, os Correios concentram a maior fatia, com 3% do total, o equivalente a R$ 10 bilhões. Em seguida aparecem a Eletronuclear, com 0,8%, ou R$ 2,68 bilhões, e a Eletrobrás, com 0,1%, ou R$ 197,39 milhões.
O aporte de garantia da União para os Correios foi motivado por risco de colapso da estatal em dezembro de 2025, e a operação entrou no estoque de dívidas garantidas após o pagamento parcial pelos bancos do consórcio.
Honra de garantias, pagamentos e riscos fiscais
O Tesouro informou que honrou R$ 11,08 bilhões em dívidas garantidas de estados em 2025, incluindo pagamentos para o Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Goiás e Rio Grande do Norte, entre outros entes e municípios.
Desde 2016, a União já realizou o pagamento de R$ 86,52 bilhões em dívidas garantidas, um dado que reforça o impacto fiscal das garantias concedidas, e que alimenta debate sobre limites, contrapartidas e a exposição do Tesouro a riscos de crédito.
O aumento do estoque de dívidas com garantia da União levanta questões sobre monitoramento, regras de contrapartida e a necessidade de transparência nas operações, pontos que serão acompanhados pelos analistas e pelos entes federados nos próximos meses.