Dívidas com garantia da União somam R$ 336,65 bilhões nos últimos quatro meses de 2025, Correios e estados puxam alta, bancos federais e organismos multilaterais concentram garantias

Relatório do Tesouro aponta R$ 153,33 bilhões em operações internas e R$ 183,32 bilhões em externas, com estados respondendo por R$ 230,99 bilhões do total, segundo o g1

A União encerrou os últimos quatro meses de 2025 com R$ 336,65 bilhões em dívidas garantidas, valor impulsionado por um empréstimo bilionário contraído pelos Correios.

Do total, R$ 153,33 bilhões correspondem a operações de crédito internas, e R$ 183,32 bilhões a operações de crédito externas, mostrando maior peso de financiamentos internacionais na carteira de garantias.

O relatório detalha também a concentração dos credores e a participação dos entes federativos nas dívidas garantidas, informações relevantes para avaliar riscos e contingências fiscais, conforme informação divulgada pelo g1.

Detalhes das operações internas e externas

As operações internas, realizadas com instituições financeiras nacionais, somaram R$ 153,33 bilhões, das quais os bancos federais, Banco do Brasil, BNDES, Caixa e BNB, concentram 93,5% do total, o que equivale a R$ 143,33 bilhões.

Já as operações externas, com recursos de organismos multilaterais e agências internacionais, chegaram a R$ 183,32 bilhões, e os organismos multilaterais, como BIRD, BID, CAF e NDB, respondem por 95,4%, ou R$ 174,94 bilhões.

Quem são os devedores, estados, municípios e bancos

Os estados detém a maior fatia do saldo devedor total, com 68,8%, equivalente a R$ 230,99 bilhões. Em seguida aparecem os municípios, com 17,5%, ou R$ 59,02 bilhões, e os bancos federais, responsáveis por 7,2%, ou R$ 24,34 bilhões.

Entre os entes federativos, o estado de São Paulo apresenta o maior saldo devedor, com 11,3% do total, ou R$ 38,05 bilhões, seguido pelo estado do Rio de Janeiro, com 8,3%, ou R$ 28,04 bilhões.

Estatais federais e o empréstimo dos Correios

As estatais federais representam 3,8% do saldo total das garantias. Nesse grupo, os Correios concentram a maior fatia, com 3% do total, o equivalente a R$ 10 bilhões.

Também aparecem no relatório a Eletronuclear, com 0,8%, ou R$ 2,68 bilhões, e a Eletrobrás, com 0,1%, equivalente a R$ 197,39 milhões.

Em dezembro de 2025, diante do risco de colapso dos Correios, o Tesouro assinou contrato de garantia da União para uma operação de crédito de R$ 12 bilhões para a estatal. O financiamento foi firmado com um consórcio formado pelo Banco do Brasil, Itaú Unibanco, Bradesco e Caixa Econômica Federal.

Desse valor, R$ 10 bilhões foram pagos em 2025 pelos bancos e, por isso, passaram a integrar o saldo devedor das operações de crédito garantidas pela União do período.

Honra de garantias e o histórico de pagamentos

O Tesouro informou que honrou R$ 11,08 bilhões em dívidas garantidas dos estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Goiás e do Rio Grande do Norte em 2025.

Municípios como Taubaté, São Gonçalo do Amarante, Sobral, Parauapebas, Iguatu, Santanópolis, Porto Nacional e Paranã também foram contemplados com pagamentos.

No total, desde 2016, a União realizou o pagamento de R$ 86,52 bilhões em garantias honradas, um indicador da exposição fiscal do Tesouro frente a riscos de solvência de entes federativos e estatais.

Os números apresentados no relatório do Tesouro permitem avaliar a composição das garantias da União, a concentração entre credores e devedores, e os pontos de maior risco no horizonte fiscal, especialmente após operações de emergência como a do caso Correios.