Dívidas com garantia da União cresceram por operações internas e externas, com 54,5% em créditos externos, forte participação de bancos federais e organismos multilaterais
O Tesouro Nacional informou que o saldo devedor de garantias concedidas pela União em operações de crédito alcançou R$ 336,65 bilhões ao final do período analisado, nos quatro últimos meses de 2025.
O aumento foi puxado por um empréstimo bilionário contratado pelos Correios, além de operações com estados, municípios e organismos multilaterais.
Os dados apontam distribuição entre créditos internos e externos e mostram quais credores e entes concentram maior parcela das garantias, conforme informação divulgada pelo g1.
Como se dividem as dívidas com garantia da União
Do total de R$ 336,65 bilhões, R$ 153,33 bilhões correspondem a operações de crédito internas, representando 45,5%, enquanto R$ 183,32 bilhões referem-se a operações de crédito externas, equivalentes a 54,5% do montante. Essas cifras mostram que as dívidas com garantia da União têm maior peso em fontes externas, por conta de contratos com organismos internacionais.
Quem são os credores e qual é a concentração
Entre os credores das operações internas, os bancos federais, Banco do Brasil, BNDES, Caixa e BNB, concentram 93,5%, o que equivale a R$ 143,33 bilhões das operações de crédito internas. Já nas operações externas, os organismos multilaterais, como BIRD, BID, CAF e NDB, respondem por 95,4%, ou R$ 174,94 bilhões.
Distribuição entre estados, municípios e estatais
Os estados detêm a maior participação no saldo devedor total das garantias, com 68,8%, o que corresponde a R$ 230,99 bilhões. Na sequência, vêm os municípios, responsáveis por 17,5% do total, ou R$ 59,02 bilhões, e os bancos federais, com 7,2%, equivalendo a R$ 24,34 bilhões.
Entre os entes federativos, o estado de São Paulo apresenta o maior saldo devedor de operações de crédito com garantia da União, representando 11,3% do total, R$ 38,05 bilhões, seguido pelo estado do Rio de Janeiro, com 8,3%, R$ 28,04 bilhões.
As estatais federais representam 3,8% do saldo total das garantias. Nesse grupo, os Correios concentram a maior fatia, com 3% do total, o equivalente a R$ 10 bilhões, em seguida Eletronuclear com 0,8%, R$ 2,68 bilhões, e Eletrobrás com 0,1%, R$ 197,39 milhões.
Empréstimo aos Correios e honra de garantias
Em dezembro de 2025, diante do risco de colapso dos Correios, o Tesouro assinou um contrato de garantia da União para uma operação de crédito de R$ 12 bilhões para a estatal. O financiamento foi firmado com um consórcio formado pelo Banco do Brasil, Itaú Unibanco, Bradesco e Caixa Econômica Federal. Desse valor, R$ 10 bilhões foram pagos em 2025 pelos bancos e passaram a integrar o saldo devedor das operações de crédito garantidas pela União do período.
O Tesouro informou ainda que honrou R$ 11,08 bilhões em dívidas garantidas dos estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Goiás e do Rio Grande do Norte em 2025. Municípios como Taubaté, São Gonçalo do Amarante, Sobral, Parauapebas, Iguatu, Santanópolis, Porto Nacional e Paranã também foram contemplados. No total, desde 2016, a União realizou o pagamento de R$ 86,52 bilhões.
O conjunto desses movimentos mostra por que as dívidas com garantia da União se mantêm no centro das vigilâncias fiscais e políticas, dado o risco fiscal implícito quando a União assume compromissos para socorrer estados, municípios e estatais.