quinta-feira, junho 4, 2026

Do Banco Central ao STF, entenda como o caso Banco Master avançou, com liquidação extrajudicial, prisão de Vorcaro, bloqueios de R$ 5,7 bilhões e suspeitas de fraudes

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Detalhes da apuração mostram emissão de R$ 50 bilhões em CDBs, operações com créditos que envolveram R$ 12,2 bilhões, administração especial por 120 dias, 42 mandados e bloqueios de R$ 5,7 bilhões

O caso envolvendo o Banco Master evoluiu de uma crise financeira para uma investigação que alcança autoridades, reguladores e o Supremo Tribunal Federal.

Em poucos meses, decisões do Banco Central e da Polícia Federal deram lugar a questionamentos do Tribunal de Contas da União e a envio de partes do processo ao STF.

O texto abaixo reúne os principais passos da apuração, as medidas tomadas e as linhas de investigação que ligam operações financeiras a pedidos de prisão e bloqueios de bens, conforme informação divulgada pelo g1

A origem da crise e as tentativas de venda

Nos últimos anos, o Banco Master cresceu com uma estratégia de captação que chamou atenção do mercado, oferecendo CDBs com taxas muito acima da média.

Para atrair investidores, a instituição explorou a garantia do FGC, que protege até R$ 250 mil por investidor, mesmo tendo ativos de baixa liquidez, como precatórios e ações em empresas com dificuldades.

Em busca de solução, o controlador Daniel Vorcaro tentou vender o banco, com proposta do BRB rejeitada pelo Banco Central, e depois acordo anunciado com a Fictor Holding Financeira, que previa aporte de R$ 3 bilhões.

Medidas do BC, da PF e primeiros elementos da investigação

O Banco Central instaurou administração especial por 120 dias e decretou a liquidação extrajudicial do conglomerado, alegando situação econômico-financeira e infração às normas bancárias.

Na primeira fase da investigação, a Polícia Federal apurou que o banco teria emitido R$ 50 bilhões em CDBs sem comprovar liquidez, aplicado parte dos recursos em ativos questionáveis e negociado créditos com falta de documentação.

Entre os fatos apontados está a compra de créditos de uma empresa chamada Tirreno, que não teriam sido pagos, e a posterior venda desses créditos ao BRB por R$ 12,2 bilhões, segundo a apuração.

STF, mandados, bloqueios e sigilo

A operação passou a tramitar em parte no STF, sob sigilo, com a determinação do ministro Dias Toffoli para cumprimento de 42 mandados de busca e apreensão, além de medidas de sequestro e bloqueio que somam mais de R$ 5,7 bilhões.

Na segunda fase da chamada operação Compliance Zero, a PF apreendeu bens, incluindo R$ 97,3 mil em espécie, e investiga desvio de recursos, fraudes e eventual tentativa de interferência em decisões regulatórias.

Os mandados alcançaram endereços ligados a Daniel Vorcaro e familiares em São Paulo, Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro, incluindo buscas na Avenida Faria Lima.

TCU, impactos políticos e defesas

O caso também motivou atuação do TCU, onde o relator pediu inicialmente inspeção ao BC e, diante de reação de entidades do setor, suspendeu a inspeção até manifestação do plenário.

O presidente do TCU, Vital do Rêgo Filho, e o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, conversaram para buscar uma saída técnica, levando o BC a retirar embargos e concordar com diligências documentais.

Segundo a PF, parte das operações envolveu bancos e fundos de pensão, e há menções a políticos com influência sobre essas entidades, o que amplia o caráter político e institucional do caso.

Quem são os alvos e o que dizem as defesas

Entre os alvos da investigação aparecem o controlador Daniel Vorcaro, o empresário Nelson Tanure e o investidor João Carlos Mansur, além de familiares de Vorcaro, segundo a PF.

A defesa de Daniel Vorcaro afirmou textualmente, em nota, "A defesa de Daniel Vorcaro informa que tomou conhecimento da medida de busca e apreensão e reafirma que o Sr. Vorcaro tem colaborado integral e continuamente com as autoridades competentes. Todas as medidas judiciais determinadas no âmbito da investigação serão atendidas com total transparência. O Sr. Vorcaro permanece à disposição para prestar esclarecimentos sempre que solicitado, reforçando seu interesse no esclarecimento completo dos fatos e no encerramento célere do inquérito. A defesa reitera confiança no devido processo legal e seguirá atuando nos autos para que as informações sejam tratadas de forma objetiva e dentro dos limites constitucionais."

As investigações seguem em andamento, com partes do processo sob sigilo no STF, medidas de bloqueio e sequestro e diligências que buscam esclarecer se houve fraude, desvio de recursos e irregularidades que justificaram a liquidação do Banco Master.

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