Dólar abre com foco no PPI e vendas no varejo dos EUA, tensão entre Trump e o Fed e segunda fase da operação da PF contra o Banco Master, Vorcaro e Tanure

Câmbio reage a dados americanos, sinais do Fed e a buscas e bloqueios da PF na segunda fase da operação ligada ao Banco Master, que atinge controladores e investidores

O mercado abriu a sessão atento a uma combinação de eventos externos e internos, com o **dólar** oscilando diante de indicadores americanos e de uma nova etapa da investigação da Polícia Federal relacionada ao Banco Master.

As atenções se dividem entre a divulgação do **PPI**, das vendas no varejo e do Livro Bege nos Estados Unidos, e as buscas e bloqueios realizados pela PF, que atingem o controlador do banco e outros alvos do setor financeiro.

As informações que embasam esta reportagem foram coletadas a partir de apuração jornalística, conforme informação divulgada pelo g1.

Como o câmbio abriu e o balanço do pregão anterior

Na véspera, o **dólar** avançou 0,06%, cotado a R$ 5,3753, enquanto o Ibovespa recuou 0,72%, para 161.973 pontos. As leituras acumuladas do câmbio mostram, conforme dados do mercado, Acumulado da semana: +0,19%, Acumulado do mês: -2,07%, Acumulado do ano: -2,07%.

O início do dia trouxe maré mista, com investidores precificando tanto os dados de inflação e atividade dos EUA, quanto os desdobramentos locais da segunda fase da investigação contra o Banco Master.

O que sai nos EUA e por que importa para o dólar

Nos Estados Unidos, o foco está nas vendas no varejo e no índice de preços ao produtor, o PPI, indicadores acompanhados de perto pelo Federal Reserve. Economistas consultados pela Reuters projetam alta de 2,70% para o PPI em 12 meses.

Além disso, o Fed publica mais tarde o Livro Bege, que reúne avaliações dos 12 distritos sobre a atividade econômica, e os investidores também monitoram possível decisão da Suprema Corte sobre tarifas globais impostas por Donald Trump.

O cenário de política monetária nos EUA, em especial as sinalizações do Fed, tem papel central na direção do **dólar**, porque afeta expectativas sobre juros e fluxo internacional de capitais.

Operação da Polícia Federal e impactos locais

Em paralelo ao noticiário econômico, a Polícia Federal deflagrou a segunda fase de uma operação que investiga um suposto esquema de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master. Foram cumpridas buscas em endereços ligados ao controlador Daniel Vorcaro e a familiares, e a operação tem como alvos também o empresário Nelson Tanure e o investidor João Carlos Mansur, ex-presidente da gestora Reag Investimentos, conforme comunicados oficiais e apuração do g1.

Fontes ligadas à apuração informaram bloqueios de bens, com valores reportados na cobertura do g1 em cerca de R$ 5,7 bilhões, e ações que movimentaram o noticiário financeiro, pressionando ativos domésticos e aumentando a atenção dos investidores sobre riscos reputacionais e possíveis reflexos no setor bancário.

Contexto político e a pressão sobre o Fed

No plano internacional, o governo Trump ampliou tensões ao anunciar tarifas, com impacto potencial sobre cadeias comerciais, e ao pressionar o Federal Reserve, inclusive com menção à possibilidade de indiciar o presidente da instituição. A movimentação gerou reação de dirigentes de bancos centrais, que divulgaram nota de apoio a Jerome Powell.

Entre as declarações publicadas pelos líderes das principais instituições monetárias, consta: “Estamos em total solidariedade com o Sistema do Federal Reserve e seu chair, Jerome H. Powell”, e o grupo acrescentou que Powell, “tem exercido sua função com integridade, foco em seu mandato e compromisso inabalável com o interesse público”, segundo divulgação acompanhada pelo g1.

Essas tensões elevam a volatilidade potencial em mercados e, por conseguinte, no **dólar**, porque questionam a independência do banco central que guia a política monetária da maior economia do mundo.

Reação dos mercados globais

Wall Street operou em baixa após alertas do setor financeiro, com o Dow Jones caindo 0,71%, para 49.238,10 pontos, o S&P 500 recuando 0,23%, a 6.960,81 pontos, e o Nasdaq Composite cedendo 0,16%, para 23.696,83 pontos, segundo fechamento e cotações mencionadas nas apurações do dia.

Na Europa e na Ásia, índices fecharam mistos, com investidores avaliando resultados corporativos, dados de inflação e o ritmo de comércio exterior da China, fatores que também influenciam o apetite por risco global e, indiretamente, o comportamento do **dólar** frente a outras moedas.

O que acompanhar durante o dia

Para acompanhar a direção do **dólar**, o mercado vai observar em sequência: as leituras de vendas no varejo nos EUA, o PPI no mesmo país, e, mais tarde, a divulgação do Livro Bege pelo Fed. No plano local, novas informações sobre a investigação da PF e eventuais desdobramentos no setor financeiro podem acelerar movimentos do câmbio e da bolsa.

Investidores e empresas devem ficar atentos a sinais de volatilidade, e a leitura conjunta das notícias econômicas e das repercussões da operação da PF deve orientar posições no curtíssimo prazo.