Dólar abre com PF, liquidação da Reag pelo Banco Central e dados dos EUA no radar, veja por que o câmbio e o Ibovespa reagiram na abertura do mercado

Dólar inicia sessão com atenção à operação da Polícia Federal, à liquidação da Reag determinada pelo Banco Central, e a indicadores dos EUA, com reflexos no Ibovespa

O mercado financeiro abriu a sessão desta quinta-feira com os olhos voltados para uma combinação de fatores domésticos e externos, que pesam sobre o preço do câmbio e o desempenho da bolsa.

Internamente, investigações que envolvem o sistema financeiro e a decisão do Banco Central sobre uma corretora reacendem dúvidas sobre risco institucional e liquidez.

No exterior, indicadores econômicos dos Estados Unidos e o Livro Bege do Fed mantêm investidores atentos sobre a trajetória das taxas e do consumo, conforme informação divulgada pelo g1.

O que movimentou a abertura

A sessão começou pressionada por informações sobre a liquidação extrajudicial pela autoridade monetária da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A, antes chamada Reag Investimentos, com sede em São Paulo, e pelos desdobramentos da segunda fase da operação Compliance Zero, que incluiu mandados de busca relacionados ao fundador João Carlos Mansur.

Na abertura, o impacto sobre ativos foi imediato, com destaque para preços e índices, com o mercado buscando sinalizações sobre contágio e postura regulatória.

O dólar avançou 0,49%, cotado a R$ 5,4016, e a bolsa disparou 1,96%, aos 165.146 pontos, uma nova máxima histórica. Acumulado da semana: +0,68%;Acumulado do mês: -1,59%;Acumulado do ano: -1,59%. Para o Ibovespa, Acumulado da semana: +1,09%;Acumulado do mês: +2,50%;Acumulado do ano: +2,50%.

Indicadores dos EUA que pesaram

Nos Estados Unidos, dados recentes mostraram força no consumo e pressão nos preços antes da venda ao consumidor, elementos que influenciam expectativas para a política monetária do Fed.

As vendas do varejo americano subiram 0,6% em novembro, em relação ao mês anterior, depois de recuarem 0,1% em outubro, número que superou a expectativa de 0,4% projetada por economistas consultados pela Reuters.

O índice de preços ao produtor avançou 0,2% em novembro, após alta de 0,1% em outubro, e apresentou alta de 3,0% na comparação anual até novembro, acima dos 2,8% registrados em outubro. O Livro Bege do Fed apontou que “As perspectivas para a atividade futura foram ligeiramente otimistas, com a maioria esperando um crescimento leve a modesto nos próximos meses”, e registrou crescimento de preços a uma “taxa moderada” na maioria dos distritos.

Reações nos mercados e ativos específicos

Entre as movimentações corporativas, o Agibank protocolou pedido de oferta pública inicial de ações na Bolsa de Nova York, segundo documento enviado à SEC, com intenção de distribuição primária e secundária.

No exterior, Wall Street fechou em queda, com tecnologia e financeiro pressionando, Nasdaq caiu 0,96%, aos 23.481,19 pontos, o S&P 500 perdeu 0,53%, aos 6.927,03 pontos, e o Dow Jones recuou 0,07%, para 49.158,62 pontos. Na Europa, o STOXX 600 avançou 0,12%, o FTSE subiu 0,33%, o DAX recuou 0,50%, e o CAC 40 caiu 0,12%.

Na Ásia, os resultados foram mistos, com otimismo por inteligência artificial e ajustes regulatórios na China, Nikkei +1,48% (54.341 pontos), Hang Seng +0,56% (26.999 pontos), Xangai SSEC -0,31% (4.126 pontos), CSI300 -0,40% (4.741 pontos), Kospi +0,65% (4.723 pontos), Taiex +0,76% (30.941 pontos) e Straits Times +0,11% (4.812 pontos).

O que observar nas próximas horas

Para o curto prazo, além de desdobramentos sobre a investigação e possíveis efeitos no sistema financeiro, o mercado vigiará pedidos semanais de auxílio-desemprego nos EUA, com expectativa de alta para 215 mil solicitações, ante 208 mil na semana anterior.

Com combinações de notícias domésticas e sinais dos Estados Unidos, a atenção dos investidores deve seguir dividida entre percepção de risco, liquidez e as pistas que chegam sobre a trajetória da inflação e dos juros, o que deve manter dólar e Ibovespa em foco nas próximas sessões.