Dólar abre em alta com foco nas negociações entre EUA e Irã, entenda por que a cotação subiu e o impacto no petróleo, no Ibovespa e nos mercados
Mercado monitora reunião em Genebra que pode levar a ação americana contra o Irã, com dólar a R$ 5,1307 e repercussões no Brent, WTI e nas bolsas globais
O dólar começou o dia em alta, em meio ao foco dos investidores nas negociações entre os Estados Unidos e o Irã, que podem definir um desfecho diplomático ou uma escalada militar.
Além do risco geopolítico, a sessão traz indicadores dos EUA e sinais mistos nos mercados globais, com atenção especial para o preço do petróleo.
As informações a seguir reúnem os dados e análises divulgados nesta quinta-feira, conforme informação divulgada pelo g1.
Por que a cotação do dólar subiu hoje
Por volta das 9h05, a moeda americana subia 0,12%, cotada a R$ 5,1307. Na véspera, a moeda americana caiu 0,60%, cotada a R$ 5,1246, menor nível desde 21 de maio de 2024.
O movimento reflete aversão ao risco diante da possibilidade de um ataque americano ao Irã, dependendo do resultado da reunião em Genebra. Em momentos de incerteza, investidores tendem a buscar ativos considerados mais seguros, como o dólar, e se afastar de aplicações mais arriscadas, como ações na bolsa.
Dólar, Acumulado da semana: -0,99%;Acumulado do mês: -2,34%;Acumulado do ano: -6,63%.
Como a tensão EUA e Irã afeta petróleo e preços
O impacto direto esperado é sobre o petróleo, com risco de alta caso haja restrições ao tráfego no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do comércio mundial de petróleo. Um ataque ou bloqueio nessa região afetaria o funcionamento do mercado.
Mesmo assim, na manhã desta quinta-feira o preço do petróleo recuava, o que mostra que o mercado ainda considera fatores que podem conter uma alta abrupta. O Brent caía 1,31%, a US$ 69,91 por barril, enquanto o WTI recuava 1,59%, a US$ 64,37.
Analistas consultados destacam que o Irã é um dos maiores produtores e membro da Opep, mas excesso de oferta global e restrições às vendas do próprio Irã podem limitar o avanço dos preços no curto prazo.
Agenda e comportamento dos mercados globais
Nos Estados Unidos, a divulgação dos pedidos iniciais de seguro-desemprego às 10h30, e a decisão americana sobre ação contra o Irã, movimentam o apetite por risco. Na semana anterior foram registrados 206 mil pedidos, e a expectativa agora é de 215 mil.
Os contratos futuros de Wall Street apontavam para início negativo, com o S&P 500 recuando 0,1%, o Dow Jones caindo 0,2%, e a Nasdaq com baixa de 0,05%.
Na Europa, o STOXX 600 subia 0,21% e ia a 634,80 pontos. No Reino Unido, o FTSE 100 avançava 0,2%, a 10.824,90 pontos. Na França, o CAC 40 ganhava 0,4% e alcançava 8.593,83 pontos. Já na Alemanha, o DAX operava com queda de 0,2%, marcando 25.133,39 pontos.
Na Ásia, os resultados foram variados, com o índice de Xangai caindo 0,02%, o CSI300 recuando 0,19% e o Hang Seng em Hong Kong caindo 1,44%. Em Tóquio, o Nikkei subiu 0,29%, chegando a 58.753 pontos. Em Seul, o KOSPI avançou 3,67%, para 6.307 pontos. Em Taiwan, o TAIEX permaneceu estável, aos 35.414 pontos.
Cenários e risco para investidores no Brasil
Parte do mercado interpreta o resultado como um sinal de possível mudança no comando do país em 2026, e para alguns analistas, uma eventual troca de governo poderia abrir caminho para medidas mais firmes no controle das contas públicas.
Com aversão ao risco, bolsas podem recuar e investidores podem migrar para o dólar até que haja maior clareza nas negociações entre EUA e Irã. A leitura predominante é que, embora exista risco de escalada, o mercado não espera uma guerra prolongada ou de grande escala.
No curto prazo, o movimento será ditado pelo noticiário sobre Genebra, pelos dados econômicos dos EUA e pela reação dos preços do petróleo, fatores que vão definir fluxo de capitais e volatilidade no Ibovespa e nos mercados emergentes.