Dólar abre em alta com inflação dos EUA no radar e incertezas políticas no Brasil, entenda impacto do CPI, IGP-10, Banco Master e balanços sobre a cotação
Dólar sobe 0,47% na abertura, mercado avalia CPI nos EUA, IGP-10 fraco, investigação sobre o Banco Master e balanços de Vale e Usiminas
O dólar abriu em alta nesta sexta-feira, com investidores monitorando dados de inflação nos Estados Unidos e desdobramentos políticos no Brasil.
Na véspera, a moeda americana fechou em alta de 0,25%, cotada a R$ 5,1998, e nesta manhã avançou 0,47%, negociada a R$ 5,2240.
Além disso, o mercado acompanha o pedido de afastamento da relatoria dos processos sobre o Banco Master, e dados locais como o IGP-10 de fevereiro, conforme informação divulgada pelo g1.
Abertura do dia e números que importam
O movimento de alta do dólar reflete reação dos operadores a cenários simultâneos, doméstico e externo.
Os acumulados informados pelo mercado mostram que a moeda tem queda no período recente, com acumulado da semana em -0,39%, do mês em -0,91% e do ano em -5,26%.
Já o Ibovespa, que abriu às 10h na última sessão antes do feriado de Carnaval, vem com variações recentes positivas, acumulando +2,63% na semana, +3,53% no mês e +16,53% no ano.
Fatores domésticos, política e empresas que pesam
No Brasil, o destaque foi o Índice Geral de Preços – 10, o IGP-10 de fevereiro, que caiu 0,42%, após alta de 0,29% no mês anterior, resultado mais fraco do que o esperado.
O IGP-10 passou a acumular deflação de 2,25% em 12 meses, segundo dados da Fundação Getulio Vargas, o que reduz pressões inflacionárias locais e influencia expectativas sobre a política monetária.
No campo político, o ministro do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, solicitou o afastamento da relatoria dos processos que envolvem as apurações sobre o Banco Master, cabendo ao novo relator, André Mendonça, tomar as decisões seguintes, e mantendo os atos já praticados pelo ministro.
O ambiente corporativo também impacta o apetite por risco, com relatório de que a Usiminas divulgou resultados e a Vale encerrou o quarto trimestre no vermelho, e com o Banco do Brasil informando um calote de R$ 3,6 bilhões em seu balanço.
Influência externa, CPI nos EUA e bolsas globais
No exterior, a atenção principal é o índice de preços ao consumidor, o CPI dos EUA, que orienta apostas sobre os próximos passos da política de juros americana.
Os três principais índices de Wall Street fecharam em queda na quinta-feira, com o Dow Jones caindo 1,34%, o S&P 500 recuando 1,55% e a Nasdaq tendo queda de 2,04%, pressionados pelo setor de tecnologia.
Na Europa, o índice STOXX 600 caiu 0,49%, com o FTSE 100 subindo 0,67%, o CAC-40 ganhando 0,33% e o Ibex-35 caindo 0,82%.
Os mercados asiáticos tiveram desempenhos mistos, com Xangai em alta de 0,05% aos 4.134 pontos, o CSI300 subindo 0,12% aos 4.719 pontos, Hang Seng em queda de 0,86% aos 27.032 pontos, Tóquio recuando 0,02% aos 57.639 pontos, Seul avançando 3,13% aos 5.522 pontos, e Cingapura subindo 0,47% aos 5.008 pontos.
O que pode movimentar o mercado ainda hoje
Se o CPI americano vier acima do esperado, isso pode reacender apostas de juros mais altos nos EUA, o que tende a valorizar o dólar globalmente e pressionar ativos emergentes, incluindo o real.
No Brasil, avanços nas investigações relacionadas ao Banco Master ou surpresas nos balanços de grandes empresas podem ampliar volatilidade local, afetando a cotação do dólar e a performance do Ibovespa.
Investidores seguem monitorando dados e comunicações oficiais, e a combinação entre indicadores econômicos e eventos políticos continuará definindo o tom para a cotação ao longo do dia.