Dólar sobe diante de incertezas com as novas tarifas americanas, enquanto dados do setor externo brasileiro mostram melhora anual, deixando o mercado atento
O mercado brasileiro iniciou a sessão com o dólar em alta e investidores monitorando os desdobramentos das tarifas americanas e os indicadores do setor externo do país.
Logo após as 9h, a moeda estrangeira avançou, e a atenção se voltou também para discursos de dirigentes do Federal Reserve e para a pesquisa da ADP sobre emprego no setor privado.
As informações a seguir reúnem os dados divulgados no dia e as reações dos mercados, conforme informação divulgada pelo g1.
A abertura do dia e indicadores de mercado
O dólar iniciou a sessão desta terça-feira em alta, em R$ 5,1720, após ter fechado a véspera cotado a R$ 5,1685, com queda de 0,14% no dia anterior. O Ibovespa registrou queda de 0,88% na véspera, fechando em 188.853 pontos, e abriu para negócios sob foco em eventos internacionais e dados locais.
Na métrica acumulada, o dólar mostra variação semanal de -0,14%, acumulado do mês de -1,51% e acumulado do ano de -5,83%. Já o Ibovespa traz acumulado da semana de -0,88%, do mês de +4,13% e do ano de +17,21%.
Tarifas dos EUA entram em vigor e aumentam incerteza
A partir de hoje, os Estados Unidos passaram a aplicar uma tarifa adicional de 10% sobre produtos que não estejam cobertos por isenções, segundo aviso da Alfândega e Proteção de Fronteiras, a CBP. A taxa corresponde ao percentual inicialmente anunciado pelo presidente Donald Trump, e não aos 15% mencionados posteriormente.
A medida amplia a incerteza sobre a política comercial americana, porque a comunicação oficial limitou a taxa em 10%, sem detalhar o motivo da escolha desse patamar. A decisão sucede a movimentação da Suprema Corte que havia derrubado tarifas anteriores justificadas por motivos de emergência, e a medida temporária foi anunciada com caráter global.
O quadro geopolítico e comercial ganha ainda mais atenção com o discurso do presidente dos EUA, Donald Trump, no Estado da União nesta terça-feira, e com falas de dirigentes do Federal Reserve ao longo do dia.
Transações correntes e o desempenho do setor externo brasileiro
O Banco Central informou que as transações correntes do balanço de pagamentos registraram déficit de US$ 8,4 bilhões em janeiro de 2026, valor menor que o rombo de US$ 9,8 bilhões em janeiro de 2025.
No acumulado de 12 meses até janeiro, o déficit recuou para US$ 67,6 bilhões, equivalente a 2,92% do PIB. Em dezembro de 2025 o déficit era de US$ 69,0 bilhões, e em janeiro de 2025 estava em US$ 72,4 bilhões, segundo dados oficiais.
A melhora anual foi explicada principalmente pelo aumento do superávit na balança comercial de bens, que cresceu US$ 2,1 bilhões, e pela redução do déficit na conta de serviços, em US$ 581 milhões, enquanto o déficit em renda primária aumentou US$ 1,3 bilhão.
Em janeiro de 2026 a balança comercial de bens registrou superávit de US$ 3,5 bilhões, ante US$ 1,4 bilhão em janeiro de 2025. As exportações somaram US$ 25,3 bilhões, enquanto as importações totalizaram US$ 21,8 bilhões, com exportações caindo 1,2% e importações recuando 10,0% na comparação anual.
Cenário global, ADP e agenda no Brasil
Nos Estados Unidos, a implementação das novas tarifas contribuiu para um ambiente de incerteza que pressionou os mercados, e os investidores acompanharão discursos do Federal Reserve e a leitura da pesquisa semanal da ADP sobre criação de vagas no setor privado, cuja leitura anterior indicou abertura de 10,25 mil postos de trabalho.
Na Europa, a trajetória dos mercados refletiu preocupações vindas do exterior, com recuo do índice STOXX 600 e baixas em bolsas como DAX e CAC 40. Na Ásia, feriados reduziram o volume de negociações, embora bolsas como Hang Seng e Kospi tenham mostrado altas.
No plano político e regulatório do Brasil, a Comissão de Assuntos Econômicos do Senado ouve o presidente interino da CVM, João Accioly, em reunião do grupo de trabalho que acompanha as investigações sobre o Banco Master, um ponto de atenção para investidores e reguladores.
Em resumo, o dólar opera em alta diante de um mix de fatores externos e dados domésticos, enquanto o mercado segue atento a discursos, números de emprego nos EUA e aos próximos balanços do setor externo brasileiro.