Dólar abre em foco nos dados do Fed e em nova fase da PF contra o Banco Master, dólar reage a sinais dos EUA, à pressão sobre Powell e à tarifa de 25% anunciada por Trump
Dólar oscila entre PPI e vendas no varejo nos EUA, tensão entre Trump e Powell e segunda fase da operação da Polícia Federal que mira Daniel Vorcaro e bloqueio de R$ 5,7 bilhões
Os mercados abriram com o olhar voltado para indicadores americanos e para o noticiário doméstico, que foi agitado por uma nova fase da operação da Polícia Federal.
Na véspera, a moeda americana avançou 0,06%, cotada a R$ 5,3753, Já a bolsa teve uma queda de 0,72%, aos 161.973 pontos.
As leituras de inflação e vendas nos EUA, as pressões políticas sobre o Federal Reserve e as investigações ligadas ao Banco Master ajudam a determinar o movimento do dólar hoje, conforme informação divulgada pelo g1.
Operação da Polícia Federal e impacto no mercado
A Polícia Federal deflagrou a segunda fase de uma operação que investiga um suposto esquema de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master. Em um dos desdobramentos, foram bloqueados R$ 5,7 bilhões em bens, e houve buscas em endereços ligados ao controlador do banco, Daniel Vorcaro, e a familiares dele.
Além de Vorcaro, a operação tem como alvos o empresário Nelson Tanure e o investidor João Carlos Mansur, ex-presidente da gestora Reag Investimentos. O noticiário sobre alvos e bloqueios adiciona ruído local, e pode pressionar o câmbio no curto prazo enquanto investidores avaliam risco e fluxo.
Agenda econômica dos EUA que move o dólar
Nos Estados Unidos saem hoje dados de vendas no varejo e o índice de preços ao produtor, o PPI, que são acompanhados de perto pelo Federal Reserve. Economistas consultados pela Reuters projetam alta de 2,70% para o PPI em 12 meses.
Na divulgação recente, o índice de preços ao consumidor, o CPI, avançou 0,3% no mês passado, e em 12 meses até dezembro a alta foi de 2,7%, repetindo a variação registrada em novembro. O núcleo do CPI, que exclui alimentos e energia, registrou alta de 0,2% em dezembro, e na comparação anual avançou 2,6%, mesma taxa observada em novembro.
Esses números moldam expectativas sobre juros e trajetória do dólar, porque influenciam decisões do Fed sobre cortes ou manutenção de estímulos, algo que afeta diretamente fluxos para moedas como o real.
Tensão entre Trump e o Fed, e repercussões para o câmbio
Além dos indicadores, há forte atenção à relação entre a Casa Branca e o Federal Reserve. O governo Trump colocou pressão sobre a instituição, e há menção até à possibilidade de indiciar o presidente do Fed, Jerome Powell.
Na véspera, o presidente Donald Trump publicou em suas redes sociais: “Com efeito imediato, qualquer país que faça negócios com a República Islâmica do Irã pagará uma tarifa de 25% sobre quaisquer e todas as transações realizadas com os Estados Unidos. Esta ordem é final e conclusiva. Agradeço a atenção a este assunto”, escreveu Trump na Truth Social. A medida pode atingir parceiros comerciais, inclusive do Brasil, e acrescenta incerteza global.
Em reação às pressões, dirigentes de bancos centrais divulgaram nota conjunta em apoio a Powell, afirmando, “Estamos em total solidariedade com o Sistema do Federal Reserve e seu chair, Jerome H. Powell”. A defesa da independência das autoridades monetárias é vista como elemento crucial para estabilidade, e influenciou o sentimento dos investidores.
Bolsas, acumulados e próximos passos para quem acompanha o dólar
O movimento do dólar também acompanha a performance das bolsas. Acumulado da semana: +0,19%,Acumulado do mês: -2,07%,Acumulado do ano: -2,07%.
O Ibovespa, por sua vez, registrou Acumulado da semana: -0,84%,Acumulado do mês: +0,54%,Acumulado do ano: +0,54%.
Para os próximos dias, os investidores ficarão de olho nos números de vendas no varejo e no PPI nos EUA, na divulgação do Livro Bege pelo Fed e em qualquer novo capítulo das investigações da PF sobre o Banco Master. Esses elementos vão seguir influenciando decisões de alocação e o comportamento do dólar no mercado doméstico.