Dólar abre em leve alta, atento ao PCE e ao PIB dos EUA, e reage ao alívio externo após recuo de tarifas e declarações sobre a Groenlândia
Mercado observa dados de inflação e crescimento americanos, além de desdobramentos entre EUA, Otan e Europa, que impulsionaram fluxo para mercados emergentes
O dólar iniciou a sessão desta quinta-feira em leve alta, com valorização de 0,03% na abertura, cotado a R$ 5,3213, refletindo cautela dos investidores diante de indicadores americanos que serão divulgados ao longo do dia.
Na véspera, a moeda americana recuou 1,13%, a R$ 5,3196, enquanto o Ibovespa registrou forte avanço e bateu novo recorde de fechamento, em um dia de maior apetite por risco global.
Os mercados também reagem ao alívio no cenário externo após sinais políticos entre EUA e Europa, inclusive sobre a Groenlândia, conforme informação divulgada pelo g1.
Abertura do dia e indicadores americanos
O foco dos investidores está em dados que ajudam a calibrar as expectativas do Federal Reserve. Nos Estados Unidos será divulgado o PCE de novembro, indicador de inflação usado pelo Fed, cuja publicação foi adiada por conta do shutdown que terminou em novembro, após 43 dias de paralisação do governo.
Também está na agenda a leitura final do PIB do terceiro trimestre, com expectativa de crescimento anualizado de 4,3%, além dos dados semanais de pedidos de auxílio-desemprego.
Cenário externo e impacto político
O alívio no exterior veio após o presidente dos EUA reduzir tensões sobre a proposta de anexação da Groenlândia e recuar de tarifas que seriam impostas a oito países europeus. Esse movimento diminuiu a percepção de risco nos mercados.
Em declarações citadas pelo g1, Donald Trump afirmou, “Com base em uma reunião muito produtiva que tive com o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, formamos a estrutura de um futuro acordo relacionado à Groenlândia e, na prática, a toda a região do Ártico”, e que, caso concretizado, “será muito positiva para os EUA e para todos os países da Otan”.
Autoridades europeias, no entanto, ressaltaram limites ao entendimento. Mark Rutte e a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, disseram que não houve negociação sobre soberania, e a porta-voz da Otan, Allison Hart, afirmou, “O secretário-geral não propôs qualquer compromisso em relação à soberania durante sua reunião com o presidente em Davos”.
Reação das bolsas e fluxo para emergentes
As bolsas globais operaram em alta com o relaxamento político. Em Wall Street, após uma forte queda no dia anterior, o S&P 500 subiu 1,16%, aos 6.875,62 pontos, o Nasdaq avançou 1,18%, aos 23.224,83 pontos, e o Dow Jones teve ganhos de 1,21%, aos 49.076,98 pontos, segundo informações citadas pelo g1.
No Brasil, o Ibovespa encerrou a quarta-feira com alta de 3,33%, o maior ganho diário desde abril de 2023, chegando aos 171.817 pontos, e o pregão anterior registrou fechamento em 171.816,67 pontos, com máxima intradia de 171.969,01 pontos.
Esse movimento favoreceu migração de recursos para mercados emergentes, e os investidores seguem atentos ao ritmo de divulgação dos dados americanos para manter ou ajustar posições.
Perspectiva para a sessão e riscos
Para o dia, além do PCE e do PIB, o mercado acompanha pedidos de auxílio-desemprego e balanços corporativos nos EUA, que podem alterar a leitura sobre crescimento e inflação, e assim influenciar o comportamento do dólar e do Ibovespa.
Em termos de desempenho, o dólar acumula na semana -0,98%, no mês -3,08% e no ano -3,08%, enquanto o Ibovespa registra acumulado da semana de +4,26%, do mês de +6,64% e do ano de +6,64%, segundo dados divulgados pelo g1.
Analistas apontam que leituras mais fortes de inflação podem reacender apostas em alta de juros, fortalecendo o dólar, assim como novos ruídos políticos internacionais podem interromper a entrada de recursos em ativos mais arriscados.