Dólar abre em queda com mercado atento à Superquarta, decisões do Copom e do Fed, IPCA-15 abaixo do esperado e riscos geopolíticos influenciam o câmbio
Mercado reage a prévia da inflação, expectativa de manutenção de juros no Brasil e nos EUA na Superquarta, e sinais globais que pressionam o dólar hoje
O dólar abriu em queda, em um dia de maior atenção dos investidores às decisões de juros que serão anunciadas pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central e pelo Federal Reserve, na chamada Superquarta.
A queda do câmbio ocorre em meio a dados de inflação mais fracos e a um cenário externo marcado por tensões comerciais e movimentos políticos nos Estados Unidos, que elevam a volatilidade nos ativos globais.
Os números e as expectativas do mercado operaram como referência para o início do dia, conforme informação divulgada pelo g1.
Por que o dólar recuou nesta véspera
Na véspera, o dólar encerrou a sessão de terça-feira (27) em queda de 1,41%, a R$ 5,2056, no menor nível desde maio de 2024.
O movimento ocorreu após a divulgação do IPCA-15 de janeiro, que subiu 0,20%, abaixo da projeção de 0,22%, o que aliviou expectativas de aperto maior na política monetária interna.
No acumulado, o dólar registra -1,41% na semana, -5,16% no mês e -5,16% no ano, enquanto o Ibovespa acumula +1,71% na semana, +12,91% no mês e +12,91% no ano, conforme dados divulgados pelo mercado.
O que a inflação e o Focus dizem sobre juros
O resultado do IPCA-15, com alta de 0,20% em janeiro e acumulado de 12 meses em 4,50%, traz sinais de inflação menos disseminada, com os maiores aumentos em saúde e cuidados pessoais e em comunicação.
Ao mesmo tempo, alimentos pressionaram a alta por itens como tomate, batata, frutas e carnes, enquanto transporte registrou queda, parcialmente por passagens aéreas mais baratas e tarifas zero em algumas cidades, segundo o IBGE.
Na visão do mercado, há expectativa de manutenção das taxas na reunião do Copom nesta semana, e início do ciclo de cortes ainda no primeiro trimestre de 2026, segundo o Boletim Focus, que aponta que a taxa básica, Selic, deve encerrar 2026 em 12,25% ao ano, uma queda de 2,75 pontos percentuais (p.p.) em comparação ao atual patamar, de 15% ao ano.
Superquarta nos EUA, política e efeitos sobre o dólar
A decisão do Copom coincide com a reunião do Federal Reserve, e a expectativa também é de manutenção das taxas nos EUA, o que amplia a atenção dos investidores ao comunicado e às sinalizações futuras.
Entretanto, a sequência de embates entre o governo de Donald Trump e o Fed é um risco. Declarações do presidente americano contra Jerome Powell e a possibilidade de uma nova indicação para a presidência do Fed têm aumentado a cautela entre investidores.
Analistas temem que eventuais pressões políticas levem a um afrouxamento mais rápido dos juros americanos, o que poderia influenciar a direção do dólar no médio prazo.
Cenário internacional e impactos no mercado
Além do diálogo sobre juros, fatores geopolíticos e comerciais também pesam. Trump elevou tarifas sobre produtos da Coreia do Sul de 15% para 25%, e a Coreia afirmou que tentará negociar.
A China, por sua vez, anunciou maior aproximação com a Rússia, com mais cooperação diante de riscos externos, enquanto a União Europeia e a Índia fecharam um novo acordo comercial que reduz tarifas em setores importantes, com impacto esperado no comércio global.
No campo das bolsas, Wall Street fechou sem direção única, com S&P 500 subindo 0,42%, Nasdaq avançando 0,91% e Dow Jones caindo 0,83%, e as principais praças europeias e asiáticas tiveram desempenhos mistos, conforme informações da agência de notícias Reuters.
Em suma, o dólar opera em queda refletindo dados domésticos de inflação e a expectativa de estabilidade temporária nas taxas de juros, mas segue sensível às mensagens do Copom e do Fed, e a choques externos que possam alterar o apetite por risco.