Dólar cai com dados do Tesouro, discurso de Trump e balanço da Nvidia, veja por que a moeda recuou e o impacto nas contas públicas e na bolsa
Movimento do dólar nesta quarta-feira une fatores domésticos, como o superávit primário do Tesouro, e externos, como o discurso de Trump e resultados esperados da Nvidia
O dólar opera em queda nesta quarta-feira, em meio a uma combinação de notícias domésticas e externas que têm influenciado o câmbio e o apetite por ativos brasileiros.
Por volta das 9h15, a moeda americana recuava, enquanto o principal índice da bolsa brasileira vinha renovando máximas, com entrada de capitais estrangeiros e análise sobre as contas públicas.
Essas movimentações ocorrem em um dia com agenda cheia nos EUA e a divulgação de dados fiscais no Brasil, conforme informação divulgada pelo g1.
Cenário doméstico, números do Tesouro e efeitos sobre o câmbio
No Brasil, o Tesouro Nacional informou que o Governo Central registrou superávit primário de R$ 86,9 bilhões em janeiro, resultado que ficou abaixo da expectativa de superávit de R$ 88,8 bilhões.
Na comparação anual, houve leve piora, já que em 2024 o superávit foi de R$ 88,84 bilhões, em valores corrigidos pela inflação.
O resultado foi favorecido pela alta arrecadação, que atingiu o maior nível para janeiro desde o início da série da Receita Federal, em 1995, o que dá suporte ao real e ajuda a explicar parte da queda do dólar.
Leitura do mercado externo, discurso de Trump e tecnologia
No exterior, o discurso do presidente Donald Trump no Congresso e a expectativa pelos resultados da Nvidia influenciam o humor dos investidores.
Trump evitou mencionar a China, fez críticas ao Irã e citou a operação que levou à prisão do ex-presidente Nicolás Maduro, além de tratar de inflação, tarifas e desempenho do mercado de ações.
Investidores também aguardam o balanço da Nvidia, que será divulgado após o fechamento, e observam falas de dirigentes do Federal Reserve, fatores que afetam risco e fluxo para mercados emergentes, inclusive o Brasil.
Números do mercado e indicadores de curto prazo
Na véspera, o mercado já reagiu ao cenário político e econômico, o Ibovespa subiu 1,40%, aos 191.490,40 pontos, e o dólar comercial caiu 0,26%, a R$ 5,1553, com entrada de capital estrangeiro.
Na manhã desta quarta, por volta das 9h15, a moeda americana recuava 0,48%, cotada a R$ 5,1305.
Os indicadores acumulados mostram pressão de baixa sobre o dólar no ano, com o acumulado de 2026 em -6,07%, e no mês em -1,76%, enquanto o Ibovespa registra ganhos expressivos no ano, com +18,85%.
O que os investidores devem observar
Resta acompanhar o fluxo cambial semanal, a reação dos mercados à divulgação dos resultados corporativos em tecnologia e as próximas falas do Fed, que podem mudar o apetite por risco global.
Se as expectativas sobre crescimento e arrecadação se confirmarem, o real tende a continuar recebendo suporte, contudo, anúncios sobre tarifas comerciais ou surpresas na economia dos EUA podem provocar reversões rápidas no dólar.
Em resumo, a atual queda do dólar combina dados fiscais brasileiros mais favoráveis e um contexto externo com sinais mistos, fatores que investidores e formadores de preço monitoram de perto.